R(t) não parou de subir com o desconfinamento. Está em 0,93, a caminho de 1

Nos último dias, a incidência tem revelado uma tendência decrescente, mas, o R(t) está a subir, tendo passado dos 0,78 para os 0,93. Governo pede contenção, mas diz que matriz não é "absoluto travão".

Quando foi conhecido o plano desconfinamento, o Governo apresentou uma matriz de risco que vai ajudar a guiar o processo. Esta “bússola” permite perceber a evolução da avaliação do risco de transmissibilidade do vírus (Rt), ou seja, quantas pessoas um infetado contagia, e do nível de incidência, isto é, o número de casos por 100 mil habitantes a 14 dias. E se desde que arrancou o desconfinamento, a incidência tem revelado uma tendência decrescente, mas o R(t) está a subir progressivamente, tendo passado dos 0,84 para os 0,93 a nível nacional.

Na altura, o primeiro-ministro fez saber que era em função destes critérios, tanto a nível da evolução da incidência e da transmissibilidade como da capacidade do SNS, que o Governo iria avaliar o ritmo de reabertura do país e que o calendário previsto “relativamente às diferentes fases de desconfinamento” podia “ser alterado”, disse o primeiro-ministro, após o Conselho de Ministros, a 11 de março.

Nesse contexto e para explicar como funciona esta matriz, António Costa revelou ao país que, a 11 de março, Portugal apresentava uma “incidência de 105 casos por cada 100 mil habitantes” e o R(t) estava nos 0,78. Ou seja, nessa quinta-feira 100 pessoas infetadas com Covid-19 contagiavam outras 78. De referir que, em termos práticos isso significa que o número de novas inferiores é inferior ao número de casos que estiveram na sua origem.

Além disso, o Chefe de Estado sublinhou ainda que o ideal é a incidência estar sempre abaixo dos 120 mil casos por 100 mil habitantes e o R(t) estar abaixo de 1. E se desde que arrancou o plano de desconfinamento, a 15 de março, a incidência tem mantido uma tendência decrescente — estando atualmente nos 75,7 casos por 100 mil habitantes a nível nacional –, o mesmo não tem acontecido com o índice de transmissibilidade.

Segundo as estimativas divulgadas pelo Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA) e pela DGS -que passou a atualizar estes indicadores todas as segundas, quartas e sextas-feiras –. o R(t) está neste momento nos 0,93 a nível nacional, segundo o relatório de sexta-feira.

Se compararmos, por exemplo, com os dados divulgados a 17 de março, dois dias depois de arrancar o desconfinamento, é evidente a tendência de crescimento, já que nessa altura o valor era de 0,84 a nível nacional. Já no dia anterior ao desconfinamento, a 14 de março, o índice de transmissibilidade era de 0,83, já acima dos 0,78 referidos por Costa.

R(t) abaixo de 1 a nível nacional. Mas há já 4 regiões acima desse valor

Assim, apesar de o R(t) estar a aumentar progressivamente a nível nacional, ainda está abaixo de 1, o que significa que por cada pessoa infetada vai infetar menos de uma pessoa. De sublinhar ainda que o facto de estar abaixo de 1 significa ainda que o número de casos de infeção por Covid-19 continua a descer, mas quando está perto de 1 essa descida é mais lenta.

Face a esta aproximação do índice de transmissibilidade a 1 , o primeiro-ministro avisou a situação epidemiológica está a avançar “num sentido perigoso”, pedindo, por isso, contenção nesta semana da Páscoa, período mais propício a viagens e encontros com familiares.

Além disso, importa sublinhar que apesar do R(t) estar abaixo de 1 a nível nacional, em termos regionais há já quatro regiões a ultrapassarem este patamar, são elas: o Alentejo (1,02), o Algarve (1,19), a região autónoma dos Açores (1,04) e a região autónoma da Madeira (1,05). De notar, que quando arrancou o desconfinamento apenas os Açores estavam acima de 1.

O Governo ficou de avaliar a próxima fase de desconfinamento na próxima quinta-feira, mas a ministra de Estado e da Presidência deixou claro que, se os dados se mantiverem como estão haverá luz verde para avançar.Só uma evolução de dados muito significativa obrigaria a recuar no plano de desconfinamento. Neste momento, não me parece possível”, disse Mariana Vieira da Silva, no briefing de Conselho de Ministros, na passada sexta-feira, referindo que os eixos da matriz de risco não são “absolutos travões”.

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