Portugal vai ter dois “Hydrogen Valleys”, um em Sines e outro a nortepremium

De acordo com o secretário de Estado da Estado da Energia, João Galamba, estes clusters "baixam os custos de produção e permitem a criação mais rápida das cadeias de valor do hidrogénio".

Portugal planeia desenvolver pelo menos dois "hydrogen valleys" nos próximos anos, ou seja, dois clusters industriais para a produção, distribuição, exportação e uso de hidrogénio verde em território nacional, sendo um localizado no Porto de Sines (já com seis projetos identificados) e o outro no norte de Portugal, anunciou esta quarta-feira o secretário de Estado da Energia, João Galamba, no encerramento da conferência de alto nível “Hydrogen in Society – Bridging the Gaps”, organizada no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

De acordo com o governante, "existem já muitos destes hydrogen valleys na Europa" e Portugal não quer ficar fora da corrida para instalar este tipo de "ecossistemas integrados que permitem o desenvolvimento sistemático dos vários elementos da cadeia de valor do hidrogénio verde", integrando desde a fase de produção à distribuição e ao uso.

"Estes clusters, como o que está programado para nascer em Sines, favorecem a eficiência coletiva, baixam os custos de produção e permitem a criação mais rápida das cadeias de valor do hidrogénio verde, que são alguns dos objetivos da UE", disse Galamba.

E se o "hydrogen valley" de Sines é o mais conhecido e aquele que neste momento está mais avançado para ser concretizado, já com seis projetos identificados -- sendo o consórcio H2Sines da EDP, Galp, REN, Martifer e Vestas o maior de todos --, o secretário de Estado explicou em declarações ao ECO/Capital Verde que a ideia é replicar o conceito em várias regiões do país, a começar já por um cluster regional no norte que "agregue os projetos interessados em criar sinergias e tirar partido de interesses convergentes".

"É o que faz mais sentido: agregar, na medida do possível, os projetos de hidrogénio a nível nacional. A norte temos também grandes projetos como é o caso do da Bondalti, em Estarreja, entre muitos outros, que se podem unir numa comunidade de energia e gerir coletivamente interesses partilhados num mesmo cluster industrial", disse Galamba, sem relevar ainda qual será a localização para o próximo "hydrogen valley" a nascer no norte do país".

Por seu lado, Filipe Costa, CEO da AICEP Global Parques, empresa estatal que gere a Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), levantou o véu sobre a estratégia do Governo que já está em marcha para a criação precisamente de um "Sines Hydrogen Valley", com mais de 1 GW de produção de eletricidade renovável a partir da energia solar e eólica e mais de 1 GW de capacidade de produção de hidrogénio verde a partir de eletrolisadores.

Para isso, a ZILS tem à disponíveis 2.375 hectares contíguos ao Porto de Sines, ocupados apenas a 70% e com espaço para instalar projetos de hidrogénio. "Estamos proativamente a acolher futuras instalações de eletrolisadores e projetos industriais para o fabrico ou montagem de painéis solares, eletrolisadores ou outros componentes para equipamentos de geração de energia renovável", garantiu Filipe Costa na sua apresentação, sublinhando a ligação direta à rede nacional de gás natural (interconectada com Espanha) e a proximidade com o porto de águas profundas de Sines, que poderá ter novos terminais dedicados ao gás renovável e de onde no futuro sairão os navios carregados de hidrogénio liquefeito para o Porto de Roterdão e outros pontos do norte da Europa.

O CEO da AICEP Global Parques sublinhou também os "fortes investimentos já feitos nas interligações elétricas de alta e muito alta voltagem" entre a ZILS e a rede elétrica nacional (sendo que a mais potente de todas que está agora disponível -- 400 Kv -- até há bem pouco tempo escoava para a rede a eletricidade produzida na central a carvão, entretanto desativada). Somam-se ainda além das ligações diretas entre as futuras centrais solares e eólicas e os eletrolisadores que vão produzir o hidrogénio.

De acordo com Filipe Costa, uma Comunidade de Energia Renovável está a ser implementada na Zona Industrial e Logística de Sines e será alimentada pelo cluster de energias renováveis que está a nascer nas redondezas. "Há terra disponível em volta do Porto de Sines para instalar energia solar e eólica e já há centrais solares a operar ou a entrar em operação, a serem licenciadas ou projetadas", rematou o responsável.

Na sua apresentação destacou ainda a presença abundante de água (com uma capacidade futura de 13 m3 por segundo no terceiro trimestre de 2022 na ZILS), o que será fulcral para o processo de eletrólise e a existência de consumidores industriais para o hidrogénio produzido na região, tais como a refinaria da Galp, o complexo petroquímico da Repsol, a fábrica petroquímica da Indorama e a unidade fabril da Air Liquide.

(Notícia ataulizada com declarações do secretário de Estado da Energia, João Galamba, sobre os planos do Governo para a criação de um "hydrogen valley" na região norte)

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