Só 15% das reações adversas em Portugal são à vacina da AstraZeneca

Foram reportados 3.625 casos de suspeitas de reações adversas à vacina contra a Covid-19 em Portugal. Só cerca de 15% estão associados à vacina da AstraZeneca.

Nos últimos dias, a vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca, em conjunto com a Universidade de Oxford, contra a Covid-19 tem estado “debaixo de fogo” devido à possível ligação entre a formulação de coágulos sanguíneos e a administração do fármaco. Em Portugal, até ao passado sábado já foram reportados mais de 3.600 casos de reações adversas associadas às três vacinas que estão a ser administradas contra o novo coronavírus, contudo, apenas cerca de 15% dizem respeito à vacina da AstraZeneca, o que coloca o país em 11º a nível europeu.

Até ao momento, há já quatro vacinas aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês), mas apenas três estão atualmente a ser administradas, são elas: Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca/Oxford (atualmente apelidada Vaxzevria). Dentro e fora do Espaço Económico Europeu, já foram reportadas 272.644 notificações de suspeitas de reações adversas, segundo os dados reportados até ao passado sábado, dia 3 de abril, que estão disponíveis na plataforma europeia de vigilância de reações adversas EudraVigilance.

Do total destas mais de 272 mil notificações reportadas, 133.310 dizem respeito à vacina da AstraZeneca (48,9%), 127.789 da Pfizer (46,9%) e 11.545 da Moderna (4,2%). No entanto, importa sublinhar, que, no que diz respeito especificamente à realidade europeia, o maior número de reações adversas (acontecimentos clínicos que foram observados após a utilização da vacina, mas que não estão necessariamente relacionados com este fármaco, nem são necessariamente causados por ele) dizem respeito à vacina da Pfizer: 104.617 notificações, contra 47.840 da AstraZeneca e 6.794 da Moderna. Estes dados poderão ser explicados pelo facto de a vacina da Pfizer ser a mais administrada na maioria dos Estados-membros.

E, tal como o Jornal i (acesso livre) já tinha noticiado, Portugal não foge à “regra” europeia. Em terras “lusitanas”, até ao passado sábado, tinham sido reportadas 3.650 casos de suspeita de reações adversas à vacina contra a Covid-19. Assim, a maioria dos casos detetados em Portugal dizem respeito à vacina da Pfizer: 2.941, o que representa 81,1% do total.

Se olharmos para a realidade europeia no que toca especificamente a esta vacina, em termos absolutos, Portugal é o sexto país com o maior número de casos de suspeitas identificados e apenas ultrapassado por Itália (37.046), França (13.094), Holanda (12.935), Espanha (8.610) e Alemanha (5.773). Importa sublinhar que até à data analisada, já tinham sido administradas em Portugal 1,4 milhão de doses da Pfizer em Portugal, o que significa que a percentagem de reações adversas notificadas é de apenas 0,21%.

Quanto à vacina da AstraZeneca foram notificadas 535 reações adversas em Portugal, o que representa 14,8% do total. Neste âmbito, Portugal está em 11º lugar a nível europeu, num ranking liderado pela Holanda, que registava até ao passado sábado 13.472 reações adversas. Na segunda posição está França, com 8.701 casos de suspeitas de reações adversas, seguida por Itália (8.088), Noruega (3.345) e Áustria (2.896). Até esta data Portugal tinha administrado 388 mil vacinas da AstraZeneca, o que significa uma taxa de notificação de apenas 0,14%.

Por fim, no que concerne à vacina da Moderna foram notificadas 149 reações adversas em Portugal, de um total de 128 mil doses administradas. Contas feitas, isto significa que do total de reações adversas detetadas no país, apenas 4% foram da Moderna, o que poderá também ser explicado pelo facto de haver menos doses disponíveis desta vacina. Trata-se, portanto, de uma taxa de notificação de 0,12%.

Analisando o panorama a nível europeu, Portugal está em oitavo lugar relativamente ao maior número de casos suspeitos de reações adversas associados a esta vacina, numa lista liderada pela Holanda (com 2.286 notificações), seguida por Espanha (1.148), Itália (1.016), Franca (661) e Alemanha (279).

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