Portugal teve 23 mil mortes em excesso no primeiro ano da pandemia

Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, o primeiro ano completo da pandemia, o país registou 23.089 mortes em excesso. Covid-19 só explica 71% deste excesso de mortalidade.

Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, o primeiro ano completo da pandemia de Covid-19, Portugal registou 23.089 mortes em excesso face à média do período equivalente de 2015 a 2019. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Ao longo desses 12 meses, a doença provocada pelo coronavírus tirou a vida a 16.351 pessoas. Ou seja, a Covid-19 só explica 70,8% do excesso de mortalidade observado no primeiro ano da pandemia e 12,2% do total de 134.278 mortes registadas nesse período.

A comparação com a média de cinco anos permite perceber quão superior ou inferior foi a mortalidade num determinado intervalo de tempo, face àquilo que seria expectável tendo por base o historial de anos anteriores.

É por isso que este fenómeno é chamado de “excesso de mortalidade”, podendo o fenómeno estar relacionado com mortes por Covid-19 não diagnosticadas, problemas derivados da pressão sobre o sistema de saúde, complicações de saúde relacionadas com o confinamento, entre muitas outras que não são possíveis de contabilizar. Em concreto, o INE usa os cinco anos de 2015 a 2019 por ser o período de cinco anos mais recente sem qualquer efeito da Covid-19 na mortalidade.

No relatório desta sexta-feira, o INE revela os números da mortalidade no país para o período de 22 de março a 4 de abril de 2021, concretamente a 12.ª e a 13.ª semana de 2021. “Registaram-se, respetivamente, 2.047 e 2.106 óbitos, menos 172 e menos 60 óbitos que a média de 2015-2019. O número de óbitos por Covid-19 foi nessas duas semanas de 59 e de 42, representando, respetivamente, 2,9% e 2% do total de óbitos”, explica o instituto num comunicado.

Ou seja, nesta fase, em que a situação epidemiológica em Portugal se aliviou face ao início do ano, a mortalidade está já abaixo do que seria esperado, analisando com base na média de cinco anos anteriores.

O INE indica ainda que, “dos 4.153 óbitos entre 22 de março e 4 de abril, 72,1% corresponderam a pessoas com idades iguais ou superiores a 75 anos”. “Comparativamente com a média de 2015-2019, o número de óbitos reduziu-se em todos os grupos etários. A maior redução relativa verificou-se no grupo etário 65 a 69 anos (-9,3%).

Por fim, observado por regiões, “as regiões Norte, Centro e Área Metropolitana de Lisboa concentraram 80,8% dos óbitos. Em termos de número de óbitos por 100 mil habitantes, as regiões Norte (34,8) e Área Metropolitana de Lisboa (39,4) apresentaram, nestas duas semanas, valores inferiores ao nacional (40,4)”, conclui o instituto.

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