Espanhóis da Atitlan negoceiam compra da Groundforce

Fundo de capital de risco com sede em Valência tem investimentos no imobiliário e agroalimentar em Portugal. Está em negociações exclusivas para comprar a maioria do capital da empresa de handling.

O acionista privado da Groundforce, Alfredo Casimiro, está em negociações exclusivas para vender a empresa de handling aos espanhóis da Atitlan, apurou o ECO. O objetivo é fechar negócio até ao final do mês e evitar uma nova rutura de tesouraria. A participação detida pela TAP não deverá estar incluída na operação.

Atualmente, a Groundforce é detida em 50,1% pela Pasogal de Alfredo Casimiro e em 49,9% pela TAP. As dificuldades financeiras vividas pela empresa devido à pandemia levaram os dois acionistas a negociarem várias possibilidades para encontrar liquidez para salários, impostos e compromissos com fornecedores. A solução temporária encontrada foi uma operação de sale and leaseback de equipamentos que permitiu desbloquear 7 milhões de euros que cobrem as necessidades até final de abril.

Ambos concordaram que seria precisa uma solução a mais longo prazo, que poderia passar pela venda da Groundforce. A possibilidade foi transmitida numa reunião com estruturas sindicais e a Comissão de Trabalhadores pelo próprio Governo, que apontou para um player internacional com negócios em Portugal.

O ECO sabe que esse comprador é a Atitlan Capital e que chegou a estar em cima da mesa uma venda também da participação da TAP, mas a companhia aérea — que está ela própria a lidar com um plano de reestruturação — terá preferido não entrar no negócio.

Questionada sobre o assunto, fonte oficial do dono da Pasogal confirmou apenas que as negociações estão a acontecer. “Com base na confidencialidade que este tipo de assuntos merece e exige, Alfredo Casimiro não faz qualquer comentário”, respondeu. A Atitlan não respondeu às tentativas de contacto até à publicação deste artigo.

A Atitlan Capital é um fundo de capital de risco com sede em Valência e investimentos focados em Espanha e Portugal. Desde a sua criação em 2005, investiram mais de 800 milhões de euros em várias indústrias diferentes. Em Portugal, está no setor do agroalimentar através de uma parceria para a produção de azeite com a Sovena, bem como na aquacultura através da Sea8. Está ainda investida no imobiliário com a empresa ARES.

Em Espanha, os últimos investimentos têm sido no segmento da energia. No início do mês, a Atitlan anunciou que vai investir 130 milhões de euros em parques fotovoltaicos em Alicante. Em janeiro, o grupo tinha também reforçado a área de indústria e serviços com a aquisição de uma empresa valenciana. A Groundforce poderá, em breve, juntar-se ao portefólio.

CGD rejeita empréstimo. Governo está pronto a agir

As negociações exclusivas estão a decorrer entre Casimiro e a Atitlan, enquanto o fundo espanhol está também já em contacto com o Montepio (banco que executou uma penhora sobre essa participação após incumprimento de pagamentos por parte do empresário) e iniciou mesmo negociações técnicas com a TAP para garantir a renovação do contrato de handling no futuro.

Há interesse em fechar o negócio no início de maio até por causa do prazo dado pelo Montepio a Casimiro. Após ter acionado o processo de execução do penhor das ações, o banco deu 60 dias para regularização, ou seja, até meados de maio. A Atitlan não foi o único interessado em adquirir a Groundforce, tendo outros potenciais compradores contactado tanto o Governo como o acionista privado.

Se a operação não avançar, a situação da Groundforce poderá tornar-se novamente complicada. O dinheiro da venda de equipamentos só chega para os salários de abril, mas não de maio, e o empréstimo de 30 milhões de euros que tinha sido pedido à Caixa Geral de Depósitos com aval do Estado através do Banco de Fomento não vai avançar.

A Caixa Geral de Depósitos já decidiu que não irá conceder o empréstimo por “não ter confiança no acionista maioritário e o mesmo não ter capital, não estando reunidas as garantias necessárias para avançar com o processo”, de acordo com informações transmitidas pelo Governo à Comissão de Trabalhadores.

Em último caso, o Executivo admite colocar a Groundforce num processo de “insolvência controlada”, no qual fossem protegidos os postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores. Nesse processo, que passaria por um plano de recuperação, seria nomeado um gestor de insolvência e convertidos créditos em capital para recompensar os credores, mas a empresa de handling continuaria a operar.

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