“Balão de oxigénio” na Groundforce dá “no máximo para dois meses”, diz Casimiro

 Alfredo Casimiro rejeita qualquer responsabilidade na rutura de tesouraria da empresa, culpando sim a pandemia e a falta de apoios do Estado.

A solução temporária encontrada para a Groundforce dá apenas para dois meses, segundo garantiu o acionista privado, esta quinta-feira em audição parlamentar. Alfredo Casimiro rejeita qualquer responsabilidade na rutura de tesouraria da empresa, culpando sim a pandemia e a falta de apoios do Estado.

“Confirmo que existe um acordo, assinámos uma carta com um princípio de entendimento entre o conselho de administração da TAP e o conselho de administração da Groundforce. É um balão de oxigénio que chega para um período máximo de dois meses“, explicou Casimiro (que através da Pasogal detém 50,1% da Groundforce), em relação à proposta feita esta quinta-feira pela TAP (que detém os restantes 49,9%).

A companhia aérea — é o principal cliente, responsável por 70% do negócio da Groundforce — propôs-se a comprar equipamentos no valor de 7 milhões de euros e a subalugá-los para uso da à empresa de handling. A solução temporária permite desbloquear de forma imediata liquidez para pagar salários de fevereiro que ainda estão em atraso.

Casimiro garante que podia dar participação para penhor

Esta já não é a primeira opção em cima da mesa. Quando a pandemia penalizou o setor da aviação, a Groundforce começou a negociar com a TAP adiantamentos de pagamentos de faturas. “A partir de novembro, que foram feitos adiantamentos mensais e sucessivos sobre as faturas do mês seguinte. Mas chegou a uma altura em que os adiantamentos deixaram de ser sobre adiantamentos de faturas não de serviços prestados, mas serviços a prestar”.

Em fevereiro havia adiamentos de serviços a pagar até maio e, nessa altura, e a TAP pediu que a participação de Casimiro fosse dada como garantia para o adiantamento. Não aconteceu pois a participação já estava sob penhor, de acordo com o Governo. Mas o empresário rejeita que seja verdade.

“É mentira, por duas razões. Primeiro, porque um bem, mesmo empenhado ou hipotecado, pode ser dado em garantia múltiplas vezes, tudo dependendo do seu valor. Segundo, porque o bem a dar em penhor, à data em que este era para ser constituído, estaria nas condições exigidas pelo Governo e pela TAP SA”, afirmou, aos deputados. Não respondeu, no entanto, às questões sobre o montante e abrangência do penhor.

“O culpado não sou eu”, diz

De qualquer forma, Casimiro diz que a questão dos adiantamentos só se colocou porque as autoridades portuguesas tiveram “indisponibilidade” para dar uma garantia pública para um empréstimo bancário de 30 milhões de euros. O primeiro pedido foi feito em julho de 2020 e a empresa tem estado desde então em conversações com o Governo, mas ainda não há ok.

“Temos estado em interações diárias com o Banco de Fomento e com a Caixa Geral de Depósitos, que em janeiro nos disse estarem reunidas as condições do financiamento. Demos toda a informação que nos foi pedida, sempre em 24h ou 48 horas. Mas a ajuda, até hoje, nunca chegou. Não se percebe porque é que foram anunciadas tantas linhas de apoio covid, e qual a razão pela qual o nosso processo esteve parado nos Ministérios das Finanças e Economia deixando a Groundforce chegar ao ponto de não ter dinheiro para pagar salários”, acusa Casimiro.

O dono da Pasogal rejeita que o processo tenha sido atrasado pela falta de documentação, atribuindo a culpa à falta de enquadramento legal no que diz respeito às linhas Covid para grandes empresas. Sublinhou sobre a situação da empresa: “o culpado não sou eu, não é a gestão privada. É a pandemia e a falta dos apoios prometidos pelo Estado“.

Aumento de capital só com mais 10 anos de contrato com a TAP

A solução temporária com base nos equipamentos não invalida que se avancem outras opções, nomeadamente o empréstimo, mas também o aumento de capital de 7 milhões de euros proposto pelo acionista TAP. Apesar de garantir que tem “capacidade financeira” para acompanhar a operação, Casimiro quer condições. “Tenho capacidade. Ter capital significa ser capitalista e eu sou um capitalista. Mas só farei o investimento se tiver condições para o recuperar num certo número de anos”, sublinhou, adiantando pretender a renovação do atual contrato de serviços (que é válido até dezembro de 2022) por um total de mais dez anos.

Criticou ainda a opção: Não se socorrem empresas com problemas de tesouraria com aumentos de capital. Socorrem-se sim com empréstimos ou prestações acessórias, mas nunca com aumentos de capital”. Casimiro voltou a acusar o Governo de lhe estar a tentar tirar o controlo da empresa, falando de uma “nacionalização encapotada, às escondidas, discutindo na praça pública e aproveitando o sofrimento dos trabalhadores”.

Questionado sobre o futuro da Groundforce, Alfredo Casimiro garantiu que pretende continuar a liderar a empresa de handling. “Se tenho vontade e condições de continuar à frente desta empresa? Tenho vontade, tenho condições. Já salvei esta empresa uma vez e poderia voltar a fazê-lo”, acrescentou.

(Notícia atualizada às 18h20)

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