Associação Mutualista Montepio com prejuízos de 18 milhões em 2020

A maior associação mutualista do país, que controla o Banco Montepio, voltou a ter as contas no vermelho em 2020. Manteve-se braço-de-ferro com PwC sobre créditos fiscais e avaliação do banco.

Apresentação de resultados da Associação Mutualista Montepio - 01JUL20
Virgílio Lima é presidente da AMMG desde dezembro de 2019, após saída de Tomás Correia.Hugo Amaral/ECO

A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) registou um resultado líquido negativo de quase 17,9 milhões de euros no ano passado, depois dos prejuízos recorde de 408,8 milhões de euros registados em 2019, e que se deveram em grande medida às imparidades constituídas na altura com a desvalorização do Banco Montepio, o seu principal ativo. A assembleia geral para aprovação de contas de 2020 está marcada para o próximo dia 17 de maio.

Desta vez, a mutualista não registou imparidades com o banco, ainda que o auditor tenha forçado nova desvalorização da participação derivado da deterioração dos capitais próprios da instituição de crédito liderada por Pedro Leitão no ano passado.

Em todo o caso, a PwC deixou uma ênfase nas contas de 2020 por conta desta situação: continua a considerar que os 1.500 milhões de avaliação atribuída ao banco é excessiva — recorde-se que a mutualista já assumiu uma perda por imparidade de 800 milhões com o banco. E manteve-se a ainda reserva por causa dos ativos por impostos diferidos de 867 milhões de euros que o auditor diz estarem sobreavaliados no balanço da instituição.

Na mensagem aos associados, o presidente Virgílio Lima explicou os prejuízos com “impactos exógenos, decorrentes do contexto desfavorável, em particular das condições dos mercados financeiros, que se refletiram no substancial aumento das provisões matemáticas no final do ano, no montante de 34 milhões de euros, devido à contínua descida das taxas de juro, para níveis em redor de zero e mesmo negativos”.

A mutualista dá conta ainda da redução de outros resultados de exploração em 20,8 milhões de euros, em consequência da desvalorização da carteira de imóveis, o que também teve impacto nos resultados finais.

As contas individuais vão agora à votação na assembleia geral de associados que foi convocada para o dia 17 de maio, e surgem numa altura em que a corrida às eleições que terão lugar no final do ano já arrancou nos bastidores, embora nenhuma candidatura tenha sido oficializada até este momento.

Menos de 600 mil associados

De acordo com a mutualista, as receitas associativas caíram mais de 100 milhões para 545,9 milhões de euros, mas sem penalizar a margem associativa, que subiu 50 milhões para os 78,8 milhões de euros. Isto porque as saídas de dinheiro foram menos intensas do que em 2019 — os benefícios vencidos e reembolsos recuaram 170 milhões para 466,4 milhões – e foram compensadas largamente pelas novas entradas.

O número de associados voltou a cair abaixo dos 600 mil no final de 2020, com a maior mutualista a registas saídas líquidas (saídas-entradas) de 3.346 associados ao longo do ano passado. Entretanto, já regressou acima da fasquia dos 600 mil associados no primeiro trimestre do ano, de acordo com o conselho de fiscal da instituição.

Os capitais próprios registaram uma queda de cerca de 30 milhões de euros no ano passado, atingindo os 304,7 milhões de euros, depois da queda de 400 milhões em 2019 (devido às imparidades com o banco). Contudo, estes capitais próprios continuam a ser sustentados, entre outros, pelos créditos fiscais de mais de 800 milhões (originados em 2017 e que foi considerado um truque fiscal para evitar uma situação líquida negativa) e cuja avaliação o auditor tem dúvidas.

O grau de cobertura de responsabilidades voltou a cair, atingindo os 1,101, abaixo dos 1,242 do ano passado. A cobertura das responsabilidades por ativos líquidos subiu 1,3 pontos percentuais para 17,5%.

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