Destruição do emprego faz salários médios subirem no primeiro ano de pandemia

Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, a remuneração base média dos trabalhadores portugueses subiu 3,2%, evolução que foi influenciada pela destruição de empregos com salários menores.

A remuneração base média dos trabalhadores portugueses aumentou 3,2%, entre março de 2020 e fevereiro de 2021 — isto é, no primeiro ano de pandemia –, face ao período homólogo, fixando-se em 1.014 euros. Esta subida foi influenciada pela destruição dos empregos com remunerações mais baixas resultante do impacto da crise sanitária nas contas dos empregadores.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), entre as empresas que não recorreram ao lay-off simplificado, nem ao apoio à família, a remuneração base subiu mais do que a média da economia (4% contra 3,2%), enquanto que entre aquelas que aderiram a essas medidas (por, pelo menos, um mês) o acréscimo ficou abaixo dessa linha (2,3% contra 3,2%). De notar que, durante o ano de 2020, o lay-off simplificado implicou cortes salariais para os trabalhadores (que, entretanto, foram eliminados), o que ajuda a explicar a evolução da remuneração média no grupo de empregadores que aderiram a esta medida.

A pandemia influenciou também o volume mensal médio de remunerações base pagas. Assim, nos 12 meses antes de se terem identificados os primeiros casos de Covid-19 em Portugal, esse volume aumentou 6,2% face ao ano precedente, tendo essa subida sido mais acentuada nas empresas que viriam a aderir ao lay-off do que nas demais (8,8% contra 3,5%), enquanto entre março de 2020 e fevereiro de 2021, subiu apenas 1,3%, o que é explicado principalmente pelas empresas em lay-off, cujo volume de remunerações caiu 0,3%. Já as demais empresas observaram um aumento ligeiramente abaixo do ano anterior (3,3% contra 3,5%).

O INE acrescenta que, nos 12 meses anteriores ao início da pandemia em Portugal (entre março de 2019 e fevereiro de 2020), havia 4.182,1 mil trabalhadores por conta de outrem em Portugal, mais 3,5% do que no ano anterior. A crise pandémica provocou, contudo, uma inversão dessa tendência, tendo sido registado um recuo de 1,9% do número de trabalhadores (4.101,5 mil), entre março de 2020 e fevereiro de 2021 e o período homólogo.

Essa diminuição foi registada tanto em empresas que aderiram a medidas extraordinários de apoio à manutenção dos postos de trabalho, como nas demais, mas foi superior entre as primeiras (2,6% contra 1%).

A pandemia de coronavírus fez tremer o mercado de trabalho, tendo agravado o desemprego e atirado milhares de trabalhadores para a inatividade, além de ter influenciado a evolução das remunerações em Portugal. O Governo lançou uma série de medidas para mitigar esse impacto, como o lay-off simplificado, que desde o início de 2021 já não implica cortes salariais.

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