Ministro das Finanças francês pede segunda dose de estímulos na UE

O ministro das Finanças francês veio a Lisboa com uma intenção: pressionar os seus colegas a falarem sobre uma segunda dose de estímulos para que a UE não fique atrás dos EUA e da China.

Bruno Le Maire aproveitou a entrada no Centro Cultural de Belém para deixar uma mensagem aos seus colegas ministros das Finanças: se a União Europeia não for capaz de fazer mais, ficará atrás dos Estados Unidos e da China. Para o ministro das Finanças francês a prioridade passa por implementar a “bazuca” europeia negociada no ano passado, mas já se deve começar a pensar numa segunda dose de estímulos.

Em primeiro lugar, os elogios: à chegada para a reunião do Eurogrupo esta sexta-feira, Le Maire elogiou António Costa e a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia pelo seu esforço neste período ao leme da UE. “É bom estar de volta e em Lisboa, esta cidade formidável”, declarou o ministro das Finanças francês, mostrando otimismo sobre os próximos meses da economia europeia.

Para Le Maire não há dúvidas:Em todo o lado na Europa, o crescimento está de volta“. Apesar das “coisas parecem estar muito bem”, é preciso uma “rápida implementação dos planos de recuperação e resiliência (PRR)” e o mais rapidamente possível deve concluir-se a ratificação dos recursos próprios que permitem a emissão de dívida que financia a “bazuca” e a aprovação dos PRR por parte da Comissão Europeia.

E definiu um objetivo que poderá ser ambicioso caso não se acelere o processo: “O nosso objetivo estratégico deve passar por ter os primeiros desembolsos dos recursos europeus o mais tardar no final de julho. Quero insistir nisto. As pessoas estão à espera do dinheiro europeu”, disse Le Maire.

Mas a União Europeia não pode ficar por aqui, na opinião do Governo francês. “A questão-chave que eu vou levantar hoje é: [o estímulo planeado] é suficiente?” Esta será a questão que o ministro das Finanças francês colocará aos seus colegas, argumentando que, “mesmo se chegarmos ao nível pré-crise no início de 2022, haverá uma perda de dois pontos percentuais do PIB face à tendência anterior [pré-Covid]”.

O Governo francês considera que a UE tem de decidir o que quer. “Queremos jogar na primeira liga ou queremos ficar atrás dos EUA e China?“, questiona Le Maire, garantindo que “França tudo fará para que a União Europeia fique na primeira liga e no mesmo nível dos EUA e China”. O objetivo de uma segunda dose de estímulos terá de passar por “melhorar o crescimento potencial da Europa”, especificou, sem referir de que forma tal deve ser alcançado: mais dívida comum ou esforços nacionais coordenados?

No passado domingo, a vice-presidente da Comissão Europeia, Margrethe Vestager, em entrevista ao jornal francês Les Echos, disse que era “demasiado cedo para considerar” um segundo plano de recuperação europeu. Para Vestager não há a “certeza de que é preciso” e neste momento “já temos tanto para fazer”.

Porém, não é um segundo plano de recuperação o que está na mente de Le Maire, clarificou a sua assessoria de imprensa mais tarde, explicando que o ministro quer promover um debate europeu sobre os investimentos e as reformas necessárias para aumentar o crescimento potencial da UE.

(Notícia atualizada às 14h complementando a visão de Le Maire face às palavras de Vestager)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Ministro das Finanças francês pede segunda dose de estímulos na UE

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião