Siza acredita que 80% das empresas não terão dificuldades em pagar créditos

A pandemia teve um efeito "dramático" na economia portuguesa, diz Siza Vieira, que acredita que Portugal tem agora "um caminho para a recuperação".

O ministro da Economia acredita que cerca de 80% das empresas portuguesas “não terão dificuldade” em cumprir os planos de pagamento associados aos créditos contraídos no período da pandemia. Admite, ainda assim, que as demais — ligadas sobretudo aos setores mais afetados pela pandemia — precisarão de um auxílio extra, pelo que, nesses casos, o Governo planeia apoiar a reestruturação dos créditos sob moratória.

Pedro Siza Vieira esteve, esta sexta-feira, num webinar sobre as perspetivas de retoma económica em Portugal e na União Europeia promovido pelo American Entreprise Institute. Nesse âmbito, o governante começou por explicar como, por cá, o Executivo de António Costa tem respondido aos desafios trazidos pela pandemia, sublinhando que Portugal entrou nesta crise “numa melhor situação do que estava há dez anos”. “Ainda assim, o impacto foi dramático“, reconheceu, lembrando a quebra histórica do PIB nacional, no segundo trimestre de 2020, e, em paralelo, o “esforço muito significativo” que foi feito para apoiar as empresas e os empregos”.

Nesse sentido, o ministro da Economia destacou as linhas de créditos lançadas logo no início da crise pandémica, mas também sublinhou o papel do lay-off simplificado — considerando-o “crítico para assegurar a preservação da capacidade das empresas” –, das moratórias, da flexibilização das obrigações fiscais e contributivas e dos subsídios a fundo perdido disponibilizados no final de 2020 e no início de 2021.

Siza Vieira disse, assim, que do ponto de vista económico, a pandemia tem sido sinónima de “uma montanha russa”, ao longo das suas várias vagas. E quando questionado sobre o levantamento gradual dos apoios e o pagamento dos créditos contraídos pelas empresas durante a crise sanitária, o ministro foi claro: “Temos estado a conduzir uma análise, empresa e empresa, sobre a sua situação e posso dizer-lhe que 80% das empresas não terão dificuldade em cumprir os pagamentos”.

Ainda assim, o responsável pela pasta da economia reconheceu que as empresas ligadas aos setores mais afetados (como o turismo, o alojamento, a restauração, a cultura e até o retalho não alimentar) terão maiores dificuldades em cumprir as suas obrigações, pelo que o Governo está agora a trabalhar “no refinanciamento para estender as maturidades”.

Esta amanhã, na apresentação do Plano para Reativar o Turismo, Siza Vieira já tinha avançado essa intenção: “O Governo está a trabalhar num programa de apoio à reestruturação desta dívida ou, se quiserem, ao seu refinanciamento“.

Sobre a União Europeia, o ministro elogiou a “resposta forte e coordenada” do bloco comunitário, muito diferente daquela dada à crise financeira. E fez questão de salientar que Portugal não crescerá se todo o continente não estiver a crescer. “A próxima década será uma era de crescimento significativo”, estimou.

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