Candidatura à TAP é “política” e “apartidária” mas Paes Mamede já falou com o Governo

Economista foi proposto por quatro sindicatos para representar os trabalhadores no conselho de administração da companhia. Diz que poderes do cargo são limitados, mas pretende defender direitos.

Ricardo Paes Mamede poderá ser o administrador não executivo da TAP eleito pelos trabalhadores e promete empenho, preparação técnica e interação com todas as partes. Na apresentação da candidatura, que é apoiada por quatro sindicatos, foi rejeitada por todos qualquer ligação política, mas o economista admite que já falou com o Governo.

“Se é uma candidatura política? É evidente que é porque tudo é política. Mas não é partidária. Os sindicatos são apartidários“. A descrição foi feita por um dos históricos sindicalistas da empresa, José Sousa, líder do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA). O dirigente e o economista rejeitaram qualquer conversa prévia com o Governo. “Desde que foi tornado público, já tive contactos com membros do Governo que estavam bastante surpreendidos com a notícia”.

A escolha de um membro de fora da empresa para o ocupar o cargo (que será criado pela primeira vez) é apoiada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal (STTAMP) e pelo Sindicato do Trabalhadores dos Aeroportos, Manutenção e Aviação (STAMA). Há vários outros candidatos, mas todos de dentro da companhia aérea.

"Os próximos anos vão ser marcados por um só tema que é o plano de reestruturação e a minha preocupação é assegurar que a reestruturação não é aproveitada como desculpa para por em causa direitos num processo que poderia ter outra alternativa.”

Ricardo Paes Mamede

Economista

“O objetivo é unir esforços para que seja nomeado para os órgãos sociais um representante dos trabalhadores que não faça parte de nenhuma ordem profissional para que seja mais fácil que nos possamos sentir mais identificados e protegidos”, explicou Henrique Martins, presidente do SNPVAC. “Não poderia ser ninguém que fosse alimentado ou que se alimente de rivalidades entre classes profissionais“, sublinhou João Varzielas, do STAMA.

Os vários sindicalistas defenderam que a escolha se deveu não só ao currículo do académico, mas essencialmente às posições públicas que tem tomado desde o início do processo de restruturação sobre a importância estratégica da TAP e a importância dos trabalhadores dentro da empresa. Frisaram a oportunidade que se apresenta com a criação deste cargo de administrador não executivo que será representante, no próximo mandato dos órgãos sociais, do acionista Estado, mas será escolhido pelos trabalhadores.

Economista quer garantir direitos dos trabalhadores. E capital público na TAP

Ricardo Paes Mamede classificou a decisão do Governo como “assinalável” e antecipou que a presença de um representante dos trabalhadores possa constituir uma vantagem para a própria empresa na medida em que problemas de implementação de medidas possam ser acautelados antecipadamente.

Isso poderá vir a ser especialmente relevante dado que a TAP está a braços com um processo de reestruturação “muito difícil”, no qual está a otimizar recursos humanos, ativos e oferta de serviços. Apesar de ainda estar à espera de aprovação da Comissão Europeia para fechar o plano, parte das medidas já estão em implementação, especialmente no que diz respeito à redução dos custos com massa salarial.

É difícil sustentar que a TAP pudesse passar por um processo destes sem uma profunda reestruturação, mas não há fórmulas únicas. Uma forma de reestruturar, que é bastante, corrente usa os trabalhadores como ajustamento. Outra é distribuir por várias vias, procurando com isso salvaguardar os direitos dos trabalhadores”, afirmou.

"Vejo como muito preocupante, não apenas o cenário de dissolução da TAP, mas também um cenário em que deixa de haver poder de decisão sobre se há hub em Lisboa. Uma TAP que contribui para o desenvolvimento do país é uma TAP onde a participação do Estado tem de ser relevante e a história mostra-nos isso.”

Ricardo Paes Mamede

Economista

O economista lembrou que o cargo é não executivo pelo que terá poderes limitados, mas garantiu pretender fazer a ponte entre gestão e trabalhadores. “Os próximos anos vão ser marcados por um só tema que é o plano de reestruturação e a minha preocupação é assegurar que a reestruturação não é aproveitada como desculpa para pôr em causa direitos num processo que poderia ter outra alternativa”.

Acrescentou que a TAP tem um papel central para a economia portuguesa e sublinhou que, para que assim continue, o capital deverá continuar a ser maioritariamente público. “Sem a TAP não há hub em Lisboa, sem hub, todos os efeitos de arrastamento na economia são postos em causa. Portanto vejo como muito preocupante, não apenas o cenário de dissolução da TAP, mas também um cenário em que deixa de haver poder de decisão sobre se há hub em Lisboa. Uma TAP que contribui para o desenvolvimento do país é uma TAP onde a participação do Estado tem de ser relevante e a história mostra-nos isso“, acrescentou.

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