DBRS mantém ratings da Caixa e BCP, mas alerta para impacto da pandemia

Agência de notação de risco alerta que a pandemia deverá reduzir lucros dos bancos e aumentar o malparado. E por isso deixou os ratings com "tendência negativa".

A DBRS/Morningstar manteve os ratings da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do BCP, assim como as perspetivas negativas para as notações de risco dos dois bancos, devido ao potencial impacto da pandemia nos lucros e no crédito malparado.

Em relação à CGD, a DBRS Morningstar deixou inalterado o rating de longo prazo de “BBB” e o rating dos depósitos de longo e curto prazo em BBB (high) e R-1 (low), respetivamente, justificando esta decisão com “a posição de liderança de mercado em Portugal, a posição sólida de funding e capital, o progresso feito na redução do malparado e outros ativos tóxicos, assim como a racionalização da estrutura operacional”.

Já a tendência negativa, que indica que os ratings poderão sofrer cortes nos próximos meses, deve-se aos riscos de queda dos “já modestos níveis de rentabilidade decorrentes do impacto económico da Covid-19”.

“O ambiente atual está a pressionar as receitas do banco e pode resultar em maiores níveis de NPL e encargos com imparidades”, considera a DBRS. A agência nota que a qualidade da carteira de crédito da CGD se tem mantido resiliente desde o início da pandemia, “ajudada pelas medidas de apoio postas em prática pelo governo”, mas os NPL (non performing loans) deverão aumentar assim que as medidas forem retiradas.

Quanto ao BCP, a agência confirmou o rating de longo prazo de BBB (low) e o rating dos depósitos de longo e curto prazo em “BBB” e “R-2” (high), respetivamente. “Tem em conta a estabilidade do franchise do banco, o perfil de financiamento sólido e as almofadas de capital moderadas”, explica a DBRS.

O facto de se manter a tendência negativa reflete os riscos de deterioração dos ativos e da rentabilidade devido à incerteza provocada pela pandemia. A DBRS lembra que o BCP tem um “considerável” montante de crédito em moratória, num total de oito mil milhões de euros, correspondendo a 21% da carteira de crédito do banco.

Por outro lado, o BCP enfrenta riscos legais e financeiros na Polónia, “com a sua exposição aos créditos hipotecários em francos suíços na sua subsidiária na Polónia, decorrentes da eventual conversão dos empréstimos para zlotys polacos ou da anulação dos contratos se forem considerados abusivos”

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