Bioeconomia, robótica e energias renováveis oceânicas entre as apostas do Governo para o Mar

Para a estratégia do Governo para o Mar, pesaram aspetos como as alterações climáticas e a economia azul circular e sustentável.

O Governo já se debruçou sobre o dossiê do Mar, tendo definido a Estratégia Nacional para o Mar para o período de 2021-2030. Há 10 grandes objetivos estratégicos, que se traduziram em várias áreas de intervenção. Nestas, incluem-se a bioeconomia e biotecnologia azul, a robótica e tecnologias digitais e energias renováveis oceânicas.

Em Portugal, que tem jurisdição sobre cerca de metade das águas marinhas da União Europeia, “existem ainda desafios que precisam de ser superados e significativas oportunidades que estão por explorar” no que diz respeito ao Mar, sublinha o Governo, na Resolução do Conselho de Ministros publicada esta sexta-feira.

A estratégia tem como objetivo “potenciar o contributo do mar para a economia do País, a prosperidade e bem-estar de todos os portugueses, dar resposta aos grandes desafios da década e reforçar a posição e visibilidade de Portugal no mundo enquanto nação eminentemente marítima”.

Tendo como base 10 objetivos estratégicos, que têm em vista nomeadamente as alterações climáticas, a economia azul circular e sustentável e Incentivar a reindustrialização e a capacidade produtiva e digitalizar o oceano, o Governo definiu 13 áreas de intervenção prioritárias para esta matéria. São elas:

  • Ciência e inovação – esta área engloba vários aspetos, nomeadamente a “transferência de ciência e tecnologia para a inovação empresarial em setores estratégicos, baseada nas necessidades reais da economia” e a “constituição de uma base sólida de conhecimento do mar, dos fundos marinhos e da inovação tecnológica daí derivada”;
  • Educação, formação, cultura e literacia do oceano – na educação, é estabelecido que a abordagem deve iniciar-se no primeiro ciclo do ensino básico;
  • Biodiversidade e áreas marinhas protegidas – uma questão afetada pelas alterações climáticas, na qual será necessário “promover redes coesas de investigação e de desenvolvimento do conhecimento científico e técnico necessário”;
  • Bioeconomia e biotecnologia azul – tendo em vista a substituição de recursos fósseis por recursos renováveis, a bioeconomia azul inclui a “exploração biotecnológica de todos os grupos de recursos marinhos vivos não tradicionais, de todas as aplicações comerciais derivadas da sua biomassa e ainda dos fluxos de desperdício e subprodutos que do seu processamento possam ser gerados”;
  • Pescas, aquicultura, transformação e comercialização – alguns dos desafios nesta área são a “minimização de impactos nas espécies vulneráveis e nos ecossistemas marinhos, a criação de novos produtos e processos e o desenvolvimento de modelos de negócio assentes numa lógica de economia circular e digital”;
  • Robótica e tecnologias digitais – “Portugal tem-se afirmado como pioneiro na área dos sistemas robóticos marinhos e nas suas aplicações a um conjunto de atividades que envolvem uma simbiose estreita entre as ciências e as tecnologias do mar”, aposta que o Governo quer continuar;
  • Energias renováveis oceânicas – o país é “estratégico para a realização de testes em vários setores oceânicos, tendo capacidade para atrair, deste modo, investimento direto estrangeiro e experimentar novas soluções na produção e armazenamento de energia renovável, como o hidrogénio verde”, sublinha o Executivo;
  • Turismo, náutica de recreio e desporto – há em Portugal “condições privilegiadas para o turismo costeiro e de mar e para as atividades náuticas, de recreio e desportivas”;
  • Portos, transportes marítimos, logística e comunicações – estratégia defende que os portos “deverão repensar de forma inovadora a sua capacidade de armazenamento e processamento e encontrar novas maneiras de atender à procura”;
  • Estaleiros, construção e reparação naval – para o Governo, a “aposta nacional na I&DI azul colocará este setor na liderança de um novo modelo sustentável de construção naval”;
  • Gestão do litoral, obras e infraestruturas – a promoção de atividades económicas circulares que promovam a descarbonização na orla costeira e o fomento de uma nova era industrial azul de base altamente tecnológica e digital, e de infraestruturas modernas de proteção, acesso e usufruto do mar apresentam-se como “apostas seguras”;
  • Recursos não-vivos – o “conhecimento sobre a distribuição e aproveitamento dos recursos não-vivos do oceano tem um interesse estratégico que transcende o valor económico que os mesmos poderão ter”, lê-se na estratégia;
  • Segurança, defesa e vigilância marítima – o Governo define que se deve “considerar uma resposta estratégica de Portugal aos riscos e às ameaças de segurança marítima que ponham em causa os objetivos de desenvolvimento nacional e de bem-estar dos portugueses”.

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