Boticas e Montalegre têm de ser devidamente compensadas pela extração de recursos, diz Costa

  • Lusa
  • 8 Junho 2021

O chefe de Governo salientou a mais valia que Portugal tem ao ter reservas de lítio, salientando que os territórios nos quais será feita a extração daquele recurso têm que ter compensações.

O primeiro-ministro avisou esta terça-feira que Portugal “não pode deixar de estar” na “linha da frente” da transição tecnológica que a Europa prepara porque “pela primeira vez” é um dos países com “melhores e maiores” reservas de matéria-prima, nomeadamente lítio.

Portugal não pode deixar de estar na linha da frente desse esforço de reindustrialização (…) Pela primeira vez em muitas transições tecnológicas, nós somos um dos países que tem melhores reservas naturais, maiores reservas naturais da matéria prima que está na base desta transição”, afirmou António Costa, em Braga, a discursar num encontro dedicado à Cadeia de Valor das Baterias Sustentáveis, no Instituto Ibérico de Nanotecnologia (INL).

O chefe de Governo salientou a mais valia que Portugal tem ao ter reservas de lítio, salientando que os territórios nos quais será feita a extração daquele recurso têm que ter compensações. “Não é aceitável que Boticas e Montalegre sejam só os territórios de onde são extraídos os recursos. Boticas e Montalegre, como qualquer outra das regiões e municípios onde os resíduos existem, têm que ser devidamente compensadas e remuneradas por essa riqueza que vai poder ser multiplicada com a aplicação do conhecimento que o sistema cientifico disponibilizar, com a valorização que a sua industrialização vai desenvolver”, defendeu.

António Costa deixou ainda o aviso que a falta de capital não poderá ser razão para que o país não assuma um lugar cimeiro em todo o processo: “Temos aqui uma enorme responsabilidade porque há um recurso que é escasso em Portugal, que é o recurso de capital. Mas, desta vez, nós não podemos ter desculpas para dizer que não há oportunidade para mobilizar o capital”, avisou.

“A União Europeia mobilizou, seja em fundos de natureza concorrencial, seja em fundos alocados ao pais, recursos financeiros de natureza absolutamente extraordinária que temos que ter a capacidade de mobilizar”, salientou.

Como exemplo, António Costa apontou uma verba de mil milhões de euros para as agendas mobilizadoras incluída no Plano de Recuperação e Resiliência, “com potencial de crescer mais 12 mil milhões de euros se houver capacidade e procura efetiva para a sua utilização”.

Além dos recursos naturais, como o lítio, e do capital, o primeiro-ministro salientou outra vantagem que considera Portugal ter neste processo de transição energética, “o conhecimento”.”A capacidade que o nosso sistema de educação, de formação, o nosso sistema cientifico tecnológico desenvolveu nas ultimas décadas, permite-nos que nós nos coloquemos perante este problema não só a dizer que temos cá umas reservas de lítio (?) e nós temos cá o saber de transformar essas reservas em algo que tem o maior valor acrescentado”, descreveu.

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