Do imobiliário à dívida pública, há 5 riscos para a estabilidade financeira

Inflação, imobiliário, falências, moratórias e dívida pública: estes são os cinco fatores de perigo identificados pelo supervisor bancário.

O Banco de Portugal publicou esta segunda-feira o Relatório de Estabilidade Financeira, onde elenca um conjunto de riscos e vulnerabilidades que o sistema financeiro enfrenta em tempos de pandemia. Inflação, imobiliário, falências, moratórias e dívida pública, estes são os cinco fatores de perigo identificados pelo supervisor bancário.

Bolsa, inflação e juros em alta

Risco: “A sobrevalorização dos ativos financeiros, os receios em torno da inflação nos EUA e a nova subida das taxas de rendibilidade de títulos de dívida, em particular nos segmentos de mercado mais alavancados, com menor liquidez e mais expostos a ativos de menor qualidade creditícia”.

Mitigante: “A atuação dos bancos centrais tem permitido manter as condições de financiamento favoráveis, mitigando a probabilidade de ocorrência de choques financeiros internacionais”.

Subida dos juros pode levar a correção do preço das casas

Risco: “Os preços nos mercados imobiliários residenciais na área do euro mantiveram-se resilientes durante a crise pandémica, para o que contribuíram as condições de financiamento favoráveis. Em Portugal, a procura por parte de não residentes manteve-se robusta durante a pandemia. Contudo, uma possível deterioração das condições de financiamento internacionais poderá afetar negativamente esta procura.

Mitigante: “Vários fatores mitigam o impacto de uma potencial queda dos preços deste mercado em Portugal. Por um lado, o rácio de endividamento das famílias tem vindo a reduzir-se, em termos agregados e para todos os níveis de rendimento, em particular para as famílias mais vulneráveis. A recomendação macroprudencial relativa aos novos créditos ao consumo e à habitação tem-se traduzido numa melhoria do perfil de risco dos mutuários. O crédito bancário interno não tem sido o principal fator subjacente à subida dos preços da habitação”.

Falência das empresas

Risco: “A deterioração da situação financeira das empresas potencia a materialização do risco de crédito. Para tal concorre, em particular, a transformação do risco de insuficiência de liquidez em risco de insolvência das empresas mais afetadas pela crise pandémica”.

Mitigante: “As taxas de juro baixas e as maturidades longas associadas às linhas de crédito com garantia pública constituem mitigantes ao incumprimento e à insolvência das empresas, em especial se associadas a medidas de apoio à capitalização das empresas. De igual forma, uma recuperação mais rápida e abrangente da economia atua no mesmo sentido”.

Fim das moratórias

Risco: “A diminuição do rendimento das famílias pelo desemprego é o principal risco para a sua situação financeira. A materialização do risco de crédito com a retirada das medidas de apoio constitui um risco no curto prazo. Contudo, no que diz respeito às moratórias de crédito, existe evidência que uma parte significativa das famílias acedeu às moratórias por precaução”.

Mitigante: “Os principais mitigantes à materialização do risco de crédito das famílias são as taxas de juro baixas, a melhoria do perfil de risco dos mutuários observada desde a crise da dívida soberana e reforçada pela recomendação macroprudencial de julho de 2018 e as medidas de apoio dirigidas às empresas que indiretamente apoiam o rendimento das famílias”.

Dívida pública e as garantias de Estado

Risco: “O elevado endividamento das administrações públicas e o aumento das responsabilidades contingentes, que constituem uma vulnerabilidade no caso da deterioração das condições de financiamento internacionais”.

Mitigante: “O alongamento das maturidades da dívida pública reduziu o risco de refinanciamento, bem como a atuação do BCE para manter condições de financiamento adequadas à recuperação económica e à ausência de fragmentação na área do euro. As condições de financiamento do soberano e a evolução do rácio de dívida pública beneficiam ainda do impacto do Mecanismo Europeu de Recuperação e Resiliência”.

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