Bioplásticos podem não ser a melhor solução para substituir o plástico

  • Capital Verde
  • 25 Junho 2021

Os bioplásticos continuam a representar um desafio pela falta de informação que existe em relação ao seu uso e à forma correta de o separar.

Algumas empresas e entidades ligadas ao ambiente consideram que os bioplásticos não estão a ser uma alternativa viável. Em causa está a separação incorreta deste material e o facto de alguns bioplásticos não se degradarem nos processos de compostagem existentes.

Num webinar realizado pela Confederação Empresarial de Portugal, em parceria com a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), várias empresas e entidades governamentais com responsabilidades na definição de políticas ambientais e económicas mostraram que o uso de bioplásticos pode não ser a melhor solução para substituir o plástico tradicional.

Apesar de causarem um menor impacto no meio marinho, uma vez que têm uma degradação superior ao plástico de origem fóssil, os bioplásticos continuam a representar um desafio pela falta de informação que existe em relação ao seu uso e à forma correta de o separar.

De acordo com Ana Cristina Carrola, do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente, “é essencial que estes bioplásticos sejam efetivamente encaminhados pelo cidadão para um destino adequado, um contentor de recolha seletiva que, neste caso, deixa de ser o contentor amarelo e passa a ser o dos biorresíduos. E, para tal, importa que seja passível de o cidadão os distinguir dos outros, devendo apostar-se numa marcação que permita claramente efetuar esta distinção junto do consumidor”.

Mas, à separação incorreta dos bioplásticos junta-se ainda outro problema – a sua degradação que, muitas vezes, não acontece nos processos de compostagem existentes, o que obriga a que os bioplásticos sejam encaminhados para incineração ou, quando tal não é possível, para aterro.

Tendo em conta que a incineração e o aterro não são processos de decomposição natural, há quem defenda que se os bioplásticos precisam de passar por eles, talvez não sejam uma alternativa viável para o plástico tradicional, uma vez que seguem o mesmo padrão no seu fim de vida.

“Esta diabolização que assistimos do plástico está enferma de muito desconhecimento por parte da população e, às vezes, por parte das autoridades, o que urge combater. O que defendemos é o uso racional e responsável do plástico”, disse Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, que afirmou, por isso, que o plástico não vai acabar.

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