Hotelaria com “baixíssima” previsão de reservas para o verão. “Retoma abortou”, diz a AHP

Expectativa de reservas para o verão está abaixo dos 45%, sobretudo devido aos mercados britânico e alemão. Hotelaria diz que, "na melhor das hipóteses", 2021 terá "resultado zero".

No início do ano, as expectativas para o verão eram positivas, mas rapidamente esse otimismo desvaneceu. A exclusão de Portugal dos corredores britânico e alemão está a penalizar fortemente a época alta do turismo, com o setor hoteleiro a antecipar ocupações abaixo dos 45%. Estimam-se “prejuízos elevadíssimos”, com as esperanças depositadas no mercado interno. A “retoma do turismo este ano abortou”, diz o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), apelando à disponibilização das verbas inscritas no Plano Reativar o Turismo.

A entrada de Portugal na “lista verde” do Reino Unido provocou um “boom enorme de reservas do mercado britânico”. Contudo, o recuo nesta decisão, dias mais tarde, provocou exatamente o oposto: cancelamentos. Com isso, junho deverá ter encerrado com uma média de reservas de 43%, indica o mais recente inquérito da AHP, apresentado esta quarta-feira. “Houve flutuações no mercado britânico porque vinham reservas de trás”, diz Cristina Siza Vieira, presidente-executiva da associação.

Neste momento as reservas são muito last minute, ou seja, em cima da data, pelo que a AHP diz ser difícil fazer uma previsão para além de três meses. Ainda assim, o inquérito mostrou que julho deverá encerrar também na casa dos 43% de ocupação, havendo uma “baixíssima previsão de reservas para agosto, mesmo com algum otimismo”, notou a responsável.

Não há reservas de grupos, ou seja, a hotelaria está “dependente das reservas individuais” e a esmagadora maioria são reservas reembolsáveis, o que significa que podem ser canceladas. Além disso, a AHP refere que se está a assistir a uma “muito baixa utilização dos vouchers”, “o que significa que em 2020 as pessoas preferiram pedir o reembolso”.

As últimas notícias vindas da Alemanha, que suspendeu as viagens para Portugal desde esta terça-feira, vieram trazer ainda mais pessimismo e consequências para o setor. “Vamos ter prejuízos elevadíssimos na época alta, porque contávamos com os mercados inglês e alemão”, diz Cristina Siza Vieira. Assim, as esperanças estão depositadas nos portugueses, mas também nos espanhóis e nos franceses, mostra o inquérito.

Face a estas conclusões, o presidente da AHP, Raul Martins, acredita que “a retoma do turismo este ano abortou”. “Com estes condicionamentos da Inglaterra e da Alemanha não haverá retoma este ano. Será um ano negativo. Na melhor das hipóteses, com resultado zero, quando tínhamos expectativa que fosse de alguma forma positivo”, continuou. O inquérito mostra que o setor estima uma recuperação para o segundo semestre de 2022.

Assim, o responsável máximo pela associação defende que, “mais importante do que pedir novas medidas” de apoio, que trazem “mais congestionamentos”, deve “aumentar-se a disponibilidade das verbas do Plano Reativar o Turismo. “O decreto foi publicado, mas as regras de utilização não estão definidas. É importante que essas regras permitam ter atenção ao que se está a passar em 2021”, acrescenta, ressalvando que “o que salvou o turismo foram as moratórias e o apoio ao pagamento dos ordenados”.

Apesar destas expectativas, a hotelaria tem esperança de que setembro e outubro assistam a uma melhoria. Isto porque poderá haver um “arrastamento” das reservas de julho para setembro. Além disso, “há uma expectativa de retoma do mercado norte-americano mais para o final de setembro e outubro”, acrescentou Cristina Siza Vieira.

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