Encomendas da China podem levar mais 10 dias a chegar à sua porta

O diretor de operações internacionais dos CTT antecipa que o novo regime de IVA, que arranca a 1 de julho, pode somar 10 dias ao tempo de espera para algumas encomendas vindas de fora da UE.

Os portugueses que compram habitualmente em lojas fora da União Europeia (UE) já estão acostumados a esperar muitos dias pela chegada das suas encomendas. É o caso dos pacotes vindos da China, que chegam a demorar um mês entre a compra e o momento em que o estafeta bate à porta. Ora, a partir desta quinta-feira, em algumas situações, o prazo poderá ser ainda maior.

Em conversa com o ECO, João Patrocínio, diretor de operações internacionais e regiões autónomas dos CTT, admite que o novo regime de IVA à escala europeia, que entrou em vigor na UE neste dia 1 de julho, poderá somar até 10 dias ao tempo estimado de entrega da encomenda, consoante as situações. Isto porque todas as compras passam a estar sujeitas a desalfandegamento e liquidação de IVA, mesmo as de valor inferior a 22 euros. E é sempre necessário um contacto com o cliente.

Apesar de considerar que “não é suposto que se notem grandes” atrasos nas encomendas quando o processo estiver bem oleado, João Patrocínio admite, porém, que as demoras deverão notar-se nesta “fase de arranque das alterações”. Isto porque muitos sites extracomunitários não vão cobrar o IVA que é devido no momento da compra, nem enviar informação que permita à empresa postal antecipar os contactos com os clientes. Nesses casos, o desalfandegamento e a liquidação do imposto são remetidos para o momento em que o objeto chega a Portugal.

“No futuro, os objetos, independentemente do seu valor, têm de ter um processo de contacto com os clientes”, começa por explicar o responsável. “Admitindo que vamos ter, seguramente, muitas mensagens em que os contactos com os clientes não se podem antecipar por alguma razão, aí prevemos que os objetos tenham 10 dias de tempo de geração de contacto para o cliente, envio dessa informação ao cliente e, depois, o tempo remanescente será para que o cliente possa finalizar o processo do seu lado. Então, findo esse tempo, os CTT repassam o objeto”, explica João Patrocínio.

Deste modo, “diria que o tempo de 10 dias será de alguma forma, recorrentemente consumido nestes processos, que é o tempo para que os clientes terminem a disponibilização de informação para o processo de desalfandegamento, tempo esse que, findo, os objetos serão repassados, porque terão esse período tempo de parqueamento”, acrescenta João Patrocínio.

Supondo que um consumidor em Portugal compra uma pulseira por seis euros na loja chinesa AliExpress, a ser entregue pelos CTT, a empresa será notificada da encomenda e tentará alertar o cliente para a necessidade do processo de desalfandegamento. Mas se não houver esse contacto prévio, ou se a empresa postal não tiver forma de entrar em contacto consigo, o processo só é desencadeado quando o pacote chega a Portugal. É daí que deriva a demora.

Reforço na comunicação e no apoio ao cliente

Para os CTT CTT 0,00% , o novo regime de IVA representa uma “alteração com bastante dimensão no setor logístico”, uma vez que o tráfego de encomendas com um valor inferior a 22 euros é mais de 95% do total, estima o diretor de operações internacionais da empresa.

Também é esperada muita confusão nesta primeira fase, com alguns clientes a serem apanhados de surpresa pelas novas regras, tendo de pagar o IVA e um valor pelo serviço aos CTT ou a outra empresa, algo que não estavam à espera. Como tal, João Patrocínio revela que foi feito um “reforço” da área de call center nesse sentido, pois “vai estar sujeita a um acréscimo de contactos”.

Os CTT têm reforçado a informação aos clientes, para que sejam poucos os que forem apanhados de surpresa pelas novas medidas. A empresa tem uma área no seu site com explicações e a tabela de preços. Até ao final do ano, os CTT não cobram o serviço de desalfandegamento nas compras feitas em lojas que cobrem o IVA no momento da encomenda. Nas encomendas mais caras, a taxa pode ser superior a quatro euros.

Não é a única empresa de encomendas a preparar os clientes para o que acaba de chegar. Fonte oficial da concorrente DPD também confirma ao ECO ter desenvolvido “uma página dedicada às alterações a ter em conta a partir de 1 de julho”. Mas, “ainda que estas alterações tenham especialmente impacto para quem compra, prestámos igualmente informação a todos os clientes que expedem encomendas pela DPD”, acrescenta a empresa.

“Toda a atividade de desalfandegamento inerente aos clientes da DPD será efetuada entre Portugal e França, para todos os países extracomunitários abrangidos, sendo aqueles contactados pelas nossas equipas para procederem ao pagamento das respetivas despesas alfandegárias”, explica a empresa liderada por Olivier Establet. Recusando comentar em concreto a entrada em vigor da alteração, a DPD acredita, contudo, que não tenha “impactos negativos sobre o e-commerce dentro dos países da UE”. Vai, pelo contrário, proteger “o comércio entre os Estados-membros”.

“Do lado de quem compra, os e-shoppers [consumidores de compras online] já se habituaram a adquirir artigos em que existem processos de alfândegas, mas poderão efetivamente estar menos informados sobre o facto de o IVA ser cobrado pela transportadora no ato da entrega. Ainda assim, estamos certos de que rapidamente se tornará uma regra do comum conhecimento”, conclui fonte oficial do grupo DPD, ex-Chronopost.

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