Detenção de Luís Filipe Vieira foi “dia dramático” para o Benfica, diz Rui Costa

Novo presidente do clube das águias recorda o dia em que Luís Filipe Vieira foi detido, afirmando ter ficado "perplexo". Recusa a ideia de se candidatar à presidência.

A detenção de Luís Filipe Vieira apanhou o Benfica de surpresa, com o novo presidente a recordar esse dia como um “dia dramático” para todos ligados ao clube. Em entrevista à TVI, Rui Costa diz que “não houve tempo para pensar” e que “não podia não assumir” a presidência.

“Fiquei perplexo, assim como qualquer pessoa que lidasse com ele [Luís Filipe Vieira] ou qualquer benfiquista. Foi um choque para todos nós, foi um dia dramático. Quando soubemos da detenção, foi um abalo completo“, disse Rui Costa, quando questionado sobre a reação que teve à detenção do ex-presidente do Benfica, a 7 de julho.

Rui Costa viu e falou com Luís Filipe Vieira pela última vez na véspera de este ser detido e, quando soube da detenção, diz não ter tido tempo para pensar. “Não houve tempo para pensar, não podia de forma alguma não assumir esta responsabilidade [presidência]. Nesse próprio dia acordo como diretor desportivo e acabo presidente do Benfica”, nota.

Ainda assim, Rui Costa diz que continua — assim como o resto do clube — “com esperança que o processo não passe disto”, ou seja, que Luís Filipe Vieira venha a ser considerado inocente. “Tenho a certeza absoluta que ele [Luís Filipe Vieira] sabe que eu jamais seria ingrato para ele”, disse, referindo que teve de “separar as águas”, ou seja, a relação pessoal que tinha com o ex-presidente do compromisso que tem para com o Benfica.

Questionado se algum dia poderá ter assinado “documentos duvidosos”, Rui Costa respondeu que “seguramente não”. E, para justificar a auditoria que está a ser equacionada ao clube, explicou que se trata de “um ato máximo de transparência”.

Sobre a eventualidade de se candidatar a presidente do Benfica, recusou colocar essa hipótese. “Toda a gente que trabalha comigo está proibida de me falar em eleições. O que peço é que o clube volte a ganhar estabilidade e continue a ser competitivo”, disse, afirmando que “jamais aceitaria ser príncipe herdeiro”. Ainda assim, afirma que o clube terá eleições até ao final do ano.

Sobre o futuro, Rui Costa mostra-se convencido que o Benfica estará na Liga dos Campeões. “É importantíssimo”, diz. “Não sendo hipócrita, não escondo que financeiramente é importante estar na Liga dos Campeões. Mas o problema que temos para resolver neste momento é desportivo”, disse, sublinhando que o “foco de estar na Liga dos Campeões não pode passar pelo aspeto financeiro”.

Luís Filipe Vieira foi detido a 7 de julho, no âmbito de uma investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros com prejuízos para o Estado. De acordo com o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), em causa estão suspeitas de “crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento”.

Na semana passada, Luís Filipe Vieira propôs pagar a caução de três milhões de euros que foi decretada para a sua libertação através de um imóvel e de ações do Benfica, mas o juiz Carlos Alexandre recusou esta quarta-feira essa forma de pagamento.

(Notícia atualizada às 21h25 com mais informação)

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