Férias mais sustentáveis? Ainda vai a tempo de poupar na carteira e no ambiente

Seja em casa ou num hotel, na praia ou no campo, em Portugal ou no estrangeiro, estas são algumas dicas que ainda podem ser postas em prática para ter umas férias sustentáveis e poupar dinheiro

Com muitos portugueses ainda a banhos e a gozar as merecidas férias de verão — seja em casa, por medo da pandemia, numa segunda habitação de veraneio, em regime “vá para fora cá dentro” ou mesmo num destino mais longínquo — as preocupações de sustentabilidade não podem ficar esquecidas.

Com cerca de metade dos portugueses a garantirem em várias sondagens recentes que os meses de calor em 2021 serão passados em casa ou perto dela, a UCI – União de Créditos Imobiliários recomenda algumas dicas que ainda podem ser postas em prática para ter umas férias sustentáveis e, além disso, poupar dinheiro em casa.

“A realidade que algumas pessoas vivem no verão, de passarem férias no domicílio ou terem duas casas abertas, por vezes mesmo em paralelo, aumenta os custos energéticos durante esses, quando outros itens também aumentam, como o consumo de água e eletricidade – principalmente devido ao ar condicionado – e o tempo mais longo que as crianças em idade escolar passam em casa”, refere a instituição financeira — uma joint venture participada em 50% pelo BNP Paribas e pelo Santander — em comunicado.

Além disso, sublinha a UCI “há uma importante tendência global para o workation (a fusão do trabalho e das férias), que, com a introdução do teletrabalho e a chegada do verão, está a ganhar força e a aumentar o número de trabalhadores que optam por passar os meses de verão a meio caminho entre duas residências. Esta situação poderia aumentar significativamente as contas das famílias até setembro, especialmente tendo em conta os preços atuais da eletricidade”.

Por isso, e para evitar surpresas nos gastos domésticos nos próximos meses, recomendam 8 dicas para umas férias mais sustentáveis e eficientes em casa:

1. Utilização responsável do ar condicionado

De acordo com a UCI, o ar condicionado representa a maior despesa em eletricidade durante os meses de Verão. Especialmente com o teletrabalho, que mantém estes dispositivos ativos em casa por uma média de 5 a 8 horas. Deve ser mantida uma temperatura estável (24-26ºC): por cada grau que a temperatura desce, o custo aumenta em 8%. Devem também ser privilegiados aparelhos de ar condicionado com modo ECO ou Night, e com um sistema inversor, que são 40% mais eficientes. Por fim, deve alternar-se entre ar condicionado e ventilador, que consome 90% menos energia.

2. Prevenir fugas de água na piscina

Encher uma piscina com água é uma das despesas mais consideráveis do verão, diz a UCI: para 50 metros cúbicos o custo pode chegar a 100 euros em água. Quando não são utilizadas as piscinas devem ser cobertas para que a água seja mantida durante um período de tempo mais longo. No fim do verão devem ser considerados sistemas como oxigénio ativo ou equipamento de desinfeção salina que ajudem a manter a água de um ano para o outro.

3. Instalar um sistema de rega automático

A utilização de sistemas de irrigação automática de hortas e pomares ajuda a poupar água e permite mantê-los em boas condições enquanto se está longe de casa. É também aconselhável escolher plantas nativas e resistentes à seca e utilizar cobertura morta por cima da terra das plantas para evitar a evaporação.

4. Secar roupa ao ar livre

A utilização da máquina de secar roupa consome muita energia. Recomendamos que se tire partido das altas temperaturas e do sol para pendurar a roupa e secar roupa de forma rápida, económica e sustentável.

5. Não descongelar os alimentos com água

O bom tempo facilita a descongelação natural dos alimentos, uma prática que ajuda a preservar as suas propriedades e poupa o consumo de água. Também na cozinha, para beber água fria, uma boa opção é encher garrafas de água e mantê-las no frigorífico, em vez de correr a torneira até ser atingida a temperatura certa.

6. Usar toldos e persianas

Expor a casa nas horas de maior calor vai contribuir para aquecê-la, aumentando as necessidades de refrigeração. Uma prática simples é usar toldos e persianas durante as horas mais quentes do dia para manter a casa mais fresca ao longo do dia, o que pode reduzir os custos de energia até 60%.

7. Evitar ligar as luzes quando não for necessário

O ideal é não ligar luzes artificiais antes das 21 horas, pois, para além de causar calor, é um consumo desnecessário.

8. Trocar banhos de imersão por duches

Ao limitar o tempo de banho a cinco minutos, pode poupar cerca de 3.500 litros de água por mês, garante a UCI

Para férias mais sustentáveis, a instituição recomenda também: deslocar-se a pé ou de bicicleta; reciclar e reduzir os resíduos; trocar bilhetes de viagem, reservas de hotel e guias ou itinerários em papel pelo formato eletrónico.

Onde ficar, o que comer, o que beber? Sustentabilidade começa quando se planeiam as férias

Fora de casa, a sustentabilidade também deve estar no topo da lista de preocupações para o tempo de férias, diz por seu lado a ADENE – Agência para a Energia.

“Mesmo no início, quando os planos de férias ainda são projetos no ar, a própria reserva do local pode ser mais sustentável”, refere a Adene no seu Guia para uma Férias Sustentáveis. E dá exemplos: empresas como a HomeCarShare e a Greenstays são “plataformas de reservas de passeios ou alojamentos cujo conceito se baseiam na ideologia do Empreendedorismo Social, privilegiando verdadeiro contacto com a cultura e tradição locais, bem como com a natureza, procurando compensar o impacto gerado pelo turismo, através de programas de reflorestação”.

Na escolha do alojamento, refere a Agência que os estabelecimentos hoteleiros têm um papel fundamental no turismo mais sustentável. “Queremos uma estadia memorável mas com uma pequena pegada ecológica. A eficiência energética e hídrica, a eliminação de plásticos de uso único, a produção da própria energia ou o princípio do ‘desperdício zero’ são algumas das medidas já implementadas por alguns hotéis”, dia a Adene, dando como exemplo o Biovilla Sustentabilidade, o Aqua Village Resort & SPA e ainda as Casas de Alpedrinha.

À mesa, a sustentabilidade também deve estar presente no prato e as refeições podem ser mais ecológicos. Como? “Através da escolha de produtos da época, de comércio local que não representem muitas emissões de CO2 associadas ao transporte, por exemplo. No caso dos restaurantes, as escolhas podem passar pelo privilégio de produtos sazonais, frescos, biológicos ou de pequenos produtores. Explorem estas três opções. Prado, Quinta Do Arneiro e Toca da Raposa”, recomenda.

Para terminar da melhor forma, “também quando escolhemos um vinho podemos procurar opções mais conscientes”, diz a Agência para a Energia, sublinhando o Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo.

O programa gratuito e de adesão voluntária foi desenvolvido pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana com o objetivo de “proporcionar aos seus membros uma ferramenta que lhes permita avaliar a forma como desenvolvem atualmente as suas atividades, oferecendo recomendações de melhores práticas com vista ao aumento da competitividade e da sustentabilidade”.

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