Ofertas de emprego caíram nos dois confinamentos. Mas há profissões em alta

Abril de 2020 foi o mês em que as ofertas de emprego foram mais sacrificadas, mas em abril de este ano profissões como engenheiro eletrónico viu a procura disparar cinco vezes face ao ano anterior.

Os dois confinamentos obrigatórios em Portugal levaram a uma quebra nas ofertas de emprego, tendo abril de 2020, o primeiro mês completo de confinamento, sido o mês mais sacrificado, com as ofertas a corresponderam a apenas 40% das de janeiro de 2020. Já em abril e maio deste ano as ofertas foram quase o dobro das registadas nos meses homólogos do ano passado. Em abril, se há quebra de ofertas de emprego para carteiros ou trabalhadores de limpeza, a procura por engenheiros eletrónicos ou técnicos de gás aumentou cinco vezes do que há um ano.

Abril do ano passado — o primeiro mês completo de confinamento com o eclodir da pandemia em Portugal – foi o mês mais sacrificado. “Esta tendência negativa foi invertida logo em maio e até julho [de 2020], com um aumento de ofertas consistente. Após setembro, seguiu-se uma forte quebra até dezembro, sendo este o segundo mês com menos ofertas em 2020 – mesmo assim com 45% mais ofertas do que em abril”, revelam os dados da Fundação José Neves, numa publicação no site.

Já este ano, o começo foi mais otimista, com um aumento de 48% das ofertas de emprego face a dezembro de 2020. Mas depressa esta recuperação foi invertida, como o novo confinamento geral. Em fevereiro de 2021, as ofertas voltaram a cair, para 27% das registadas no mês anterior. Com o fim do confinamento, as ofertas recuperaram em março e abril e voltaram a cair ligeiramente em maio de 2021.

Comparando os primeiros cinco meses de cada ano, o período de janeiro a maio de 2021 revela uma quebra de 25% nas ofertas de emprego, mais acentuada em fevereiro (37%) do que em janeiro (14%). “Enquanto em janeiro e fevereiro de 2020 ainda não existia pandemia, os mesmos meses de 2021 registaram a fase mais grave da pandemia e a declaração do segundo confinamento geral”, justifica a Fundação José Neves (FJN).

Já as ofertas de emprego em abril e maio de 2021 — meses marcados pela abertura após o segundo confinamento — foram quase o dobro das registadas nos mesmos meses de 2020, que correspondem aos primeiros meses passados em confinamento. Um crescimento de 95%, em grande parte devido ao desempenho registado no mês de abril, com um aumento de 217% face a abril de 2020.

Maior queda em profissões pouco qualificadas, sobretudo nos serviços

Em janeiro e fevereiro deste ano, as ofertas de emprego caíram 25%, em comparação com o período homólogo de 2020. Mas a queda não foi uniforme em todas as áreas, tendo sido mais acentuada (superior a 80%) em profissões pouco qualificadas e relacionadas sobretudo com o setor dos serviços.

Cabeleireiro, esteticista e similares; cozinheiro; técnico de nível intermédio dos serviços jurídicos, sociais e religiosos; empregado de mesa e bar; motorista de automóveis ligeiros, de carrinhas e condutor de motociclos; compositor, músico, cantor, bailarino e coreógrafo; trabalhador qualificado em acabamentos da construção foram as profissões que registaram a maior queda.

Apesar da evolução negativa das ofertas, foram várias as profissões com aumento de procura face ao período homólogo, com destaque para enfermeiro; especialista em relações públicas; diretora das indústrias transformadoras; engenheiro industrial e de produção; engenheiro biomédico, de engenhos explosivos, de salvamento marítimo, de materiais, ótico e de segurança; engenheiro eletrotécnico; técnico de gás, técnico de produção, agente de métodos e técnico de robótica. Todas estas revelam um aumento superior a 40%, revela a FJN.

abril de 2021, apesar de as ofertas terem correspondido a mais do triplo das ofertas de abril 2020, algumas profissões registaram quebras de procura. Carteiro e similares; farmacêutico; motorista de automóveis ligeiros, de carrinhas e condutor de motociclos; trabalhador de cuidados pessoais nos serviços de saúde; técnico de operação e controlo de processos industriais; e trabalhador de limpeza revelaram um decréscimo superior a 20%.

Na ponta oposta, o aumento foi particularmente evidente nas profissões de engenheiro eletrónico, cozinheiro, trabalhador de profissões elementares não especificadas, programador de aplicações, administrador e secretário especializado, técnico de gás, técnico da produção, agente de métodos e técnico de robótica; engenheiro civil; diretor de vendas e marketing; empregado de biblioteca, revisor de provas, escrivão de anúncios e de correspondência, classificador; arquivista e empregado de serviço de pessoal; diretor de investigação e desenvolvimento; especialista em base de dados e redes. Nestas, as ofertas em abril de 2021 foram cinco vezes superiores às de abril de 2020.

No top das profissões mais procuradas

Apesar da trajetória instável, com várias oscilações verificadas ao longo dos meses e em relação a períodos homólogos, há um conjunto de profissões que se mantêm no top das mais procuradas pelos empregadores, durante os 3 meses analisados (janeiro, fevereiro e abril), tanto em 2020, como em 2021. São elas programador de software; técnico de apoio aos utilizadores das tecnologias da informação e comunicação; operador de caixa e outros trabalhadores relacionados com vendas; e analista de sistemas.

Uma das exceções é a profissão de representante comercial, que saiu do top apenas em abril de 2020, na primeira fase da pandemia. Já os programadores web e de multimédia, bem como os trabalhadores não qualificados da indústria transformadora, estavam fora do top apenas em janeiro 2020, sugerindo que ganharam uma relevância permanente durante a pandemia.

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