Energia solar bate recordes em agosto e chega a 7,1% da produção de eletricidade

O secretário de estado da Energia, João Galamba, admite que existe um "subdesenvolvimento do solar fotovoltaico em Portugal", apesar de ser o país com um dos maiores potenciais.

No mês de agosto, a produção de eletricidade renovável representou 58,2% do total da eletricidade produzida em Portugal, de acordo com o mais recente boletim de eletricidade do Observatório da Energia, da Adene, que mostra a proporção com que se distribuíram as diferentes energias renováveis na produção de energia elétrica.

Os restantes 41,8% do mix foram assegurados por fontes fósseis, como o gás natural, responsável por 30% da geração de energia elétrica em Portugal.

Dentro das renováveis destaca-se a produção eólica com 23,1%, mas ainda assim com valores abaixo de meses anteriores de 2021 em que esteve mais próxima e até acima dos 30%. Já o solar fotovoltaico contribuiu em cerca de 7,1% da produção total de eletricidade, sendo o seu contributo até à data, o mais elevado do ano, refere a Adene.

Ainda assim, o secretário de estado da Energia, João Galamba, admite que existe um “subdesenvolvimento do solar fotovoltaico em Portugal. Apesar de ser o país com um dos maiores potenciais, a atual capacidade instalada solar é bastante baixa em termos percentuais no mix energético em Portugal quando comparado com os restantes países europeus”, disse o governante esta semana.

“O ano relativamente seco tem penalizado gradualmente a produção da hidroeletricidade, tendo representado em agosto cerca de 18,8% do total da eletricidade produzida, valor mais baixo dos primeiros oito meses do ano”, sublinha o boletim.

63% da energia consumida em Portugal é renovável

Já os últimos dados da REN mostram que a energia renovável abasteceu 63% do consumo de energia elétrica no acumulado dos primeiros oito meses do ano, de janeiro a agosto. A hidroelétrica foi responsável por 28%, a eólica 25%, biomassa 7% e a fotovoltaica 3,6%.

A produção não renovável abasteceu 30% do consumo, repartida por gás natural com 28% e carvão com 2%, enquanto os restantes 7% corresponderam a energia importada.

Em agosto, o consumo de energia elétrica registou uma variação homóloga de +0,4%, ou +0,3% considerando a correção dos efeitos de temperatura e número de dias úteis. No período de janeiro a agosto o consumo de eletricidade em Portugal cresceu, face ao mesmo período do ano anterior, 2%, ou 2,7% com correção de temperatura e dias úteis. No entanto, relativamente a 2019, registou-se um recuo de 2%.

Ainda em agosto, as condições para a produção eólica foram desfavoráveis, com o índice de produtibilidade respetivo a registar 0,83 (média histórica igual a 1), enquanto na produção hidráulica os valores não são significativos nesta altura do ano.

No acumulado do ano, o índice de produtibilidade hidroelétrica situou-se em 1,14 (média histórica igual a 1) e o de produtibilidade eólica em 0,97 (média histórica igual a 1).

No mercado de gás natural, registou-se uma contração em agosto, face ao mês homólogo do ano anterior, de 21%, com quebras de 36% no mercado de produção de energia elétrica e de 7,6%, no segmento convencional, que abrange os restantes consumos. A quebra no segmento convencional deveu-se a reduções em grandes clientes.

No período de janeiro a agosto, o consumo de gás natural, registou, face ao período homólogo do ano anterior, uma contração de 2,2%, com o crescimento de 5,8% no segmento convencional a ser insuficiente para compensar a queda de 16% no mercado elétrico. Relativamente ao mesmo período de 2019, registou-se uma diminuição de 6%.

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