Banca antecipa minoria de clientes a precisar de ajuda após fim das moratórias

Bancos têm até hoje para apresentarem soluções aos clientes em dificuldades e com moratórias a terminarem no final do mês. Asseguram que trabalho está a ser feito e não antecipam agravamentos.

Com as moratórias a expirarem no final deste mês, as famílias que ainda enfrentam dificuldades da pandemia já estão a aderir às soluções de reestruturação que estão a ser apresentadas pelos bancos para evitar o incumprimento. As instituições contactadas pelo ECO dizem-se tranquilas com o processo e antecipam que apenas uma minoria de clientes venha a necessitar de ajuda quando tiver de retomar o pagamento dos empréstimos em outubro.

De acordo com a lei aprovada pelo Governo, os bancos são obrigados a apresentar soluções para os clientes com indícios de degradação financeira até 15 dias antes do fim das suas moratórias. Isto significa que têm até esta quarta-feira para o fazer, pois a grande maioria das moratórias termina já dentro de duas semanas.

Não foi preciso chegar ao fim do prazo para os bancos se mexerem. Há meses que estão a preparar o fim das moratórias e muitos clientes já aderiram às soluções que foram colocadas em cima da mesa, segundo adiantaram ao ECO. Por outro lado, com a melhoria da economia nos últimos meses, não se espera um tsunami de incumprimentos como se chegou a temer há um ano.

“Estamos confiantes na evolução da economia e do emprego em Portugal, pelo que, sem desvalorizar o facto de que haverá certamente um número relevante de clientes que podem não vir a conseguir cumprir, consideramos que o impacto em termos agregado será menos relevante do que se perspetivava quando ainda não se dispunha de visibilidade sobre a normalização da crise sanitária”, adiantou fonte oficial do BCP ao ECO, sem adiantar números sobre adesões.

Com 18 mil particulares com moratórias em final de prazo, 90% já tinha contactado pela rede comercial do Novo Banco, que avança com uma estimativa de que “os pedidos de ajuda venham a representar menos de 3% do total de clientes particulares”.

Por sua vez, o BPI declarou que tem 98% das moratórias em situação regular a 30 de junho e também não espera “um agravamento relevante” quando as moratórias acabarem.

Os clientes do Santander também já foram todos contactados, assegurou a instituição financeira que esteve a apresentar soluções no âmbito do PARI durante esta primeira quinzena, como mandam as regras.

Na Caixa Geral de Depósitos (CGD) todos os clientes que requerem maior atenção estão sinalizados e o banco está a trabalhar há largos meses “com todos e cada um de modo a aligeirar, dentro do possível, o impacto do retorno às prestações pré-pandemia”.

"Estamos confiantes na evolução da economia e do emprego em Portugal, pelo que, sem desvalorizar o facto de que haverá certamente um número relevante de Clientes que podem não vir a conseguir cumprir, consideramos que o impacto em termos agregado será menos relevante do que se perspetivava quando ainda não se dispunha de visibilidade sobre a normalização da crise sanitária. ”

BCP

Fonte oficial

Banca quer ajudar com maior número “fatos à medida”

Há algum tempo que os bancos vêm a trabalhar no sentido de desmontar aquilo que se temeu que podia ser uma bomba-relógio para a economia: o fim das moratórias. O Governo já clarificou os apoios que vão existir para as empresas, enquanto os particulares viram reforçadas as medidas de prevenção de situações de incumprimento. Por exemplo, o banco não pode agravar os juros em caso de uma reestruturação do crédito.

Desde o início o discurso dos bancos tem sido de estar ao lado dos clientes e fazer parte da solução, tentando apagar os problemas que afetaram o setor na última década.

Perante um cenário de situações diversas de casos de dificuldades, a preocupação agora tem sido de apresentar propostas para os créditos que melhor se adequem a cada família. Ou como dizia a Caixa Geral de Depósitos (CGD) ao ECO há duas semanas: “Estamos a tentar fazer o maior número de ‘fatos à medida’ que podemos.

No BCP, os clientes necessitados são encaminhados para uma destas vias de salvação: alteração do prazo do empréstimo; atribuição de um período de fixação de prestação mais reduzido, em que pode haver uma carência de capital parcial, ou total por determinado período mais pagamento integral dos juros; ou consolidação de créditos já existentes no banco num único empréstimo, ajustando-se os parâmetros do empréstimo (prazo, carência), “de modo a procurar assegurar que os serviço da divida fica ajustado à previsível geração de receitas do cliente”.

Para alguns tipos de créditos é possível mesmo aderir à solução através da aplicação do telemóvel, assegura o banco liderado por Miguel Maya.

"O banco continuará a procurar como sempre a resposta mais adequada para cada cliente e isso tem sido possível até agora na esmagadora maioria dos casos.”

BPI

Fonte oficial

O BPI diz que “tem sido possível até agora na esmagadora maioria dos casos” encontrar um acordo com o cliente, enquanto o Novo Banco sublinha que “cada caso é um caso” e “não há apenas uma solução para cada caso ou mesmo identificar a mais comum” que tem sido adotada pelos clientes.

Quanto ao Santander, as soluções passam por um período de carência de capital, complementado com uma extensão do prazo do empréstimo por igual período.

De acordo com o último balanço do Banco de Portugal, os bancos tinham 36,8 mil milhões de euros de crédito em moratória em julho, entre clientes particulares e empresas.

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