Elétricas espanholas admitem subir preços da luz em Portugal

Em menos de duas semanas, a Endesa mudou radicalmente de discurso: diz agora que "ajustará os preços" da luz e do gás, quando no início de setembro garantia "não estar a equacionar" subir tarifas.

Neste momento são já duas as comercializadoras de eletricidade que operam no mercado livre — ambas espanholas — que admitem rever em alta os valores dos seus tarifários de energia para clientes domésticos no contexto da continuada escalada de preços no mercado gorssista ibérico (Mibel), que se agravou em agosto e agora em setembro.

Em resposta ao ECO/Capital Verde, sobre se vai aumentar os preços da luz para os consumidores domésticos no último trimestre do ano, após a segunda atualização tarifária da ERSE em 2021, a Endesa confirmou agora que “ajustará os seus preços”. A resposta é válida tanto para a eletricidade, como para o gás.

No entanto garantiu que as suas ofertas se manterão “sempre abaixo da tarifa regulada pela ERSE”. Esta semana, o regulador anunciou um novo aumento de 3% (depois do que entrou em vigor a 1 de julho) nas faturas dos clientes do mercado regulado a partir de 1 de outubro.

Esta é uma mudança radical na estratégia da empresa liderada por Nuno Ribeiro da Silva, que há bem pouco tempo, no início de setembro, tinha garantido ao ECO/Capital Verde “não estar a equacionar neste momento uma alteração de preços aos clientes do mercado liberalizado” e que “os clientes que têm um contrato de preço fixo não terão as suas tarifas alteradas”.

No entanto, reconhecia já nessa altura que o mercado liberalizado já está a viver um importante aumento de preços para aqueles contratos que estão a ser renovados. “Para combater essa situação, estamos por exemplo a realizar propostas para contratos a vários anos”, referia fonte oficial da Endesa.

A elétrica espanhola está já a ser fortemente afetada em Espanha pelos preços recorde do Mibel, a atingir máximos históricos muito perto dos 190 euros por MWh, e arrisca mesmo perder 868 milhões de euros (segundo análise do banco Sabadell) com as medidas já aprovadas pelo Governo de Madrid para fazer descer as contas da luz em 22% até ao final do ano.

Em Portugal, a Endesa é já a segunda maior comercializadora de eletricidade no país, com 7,7% dos clientes em mercado livre, logo a seguir à EDP, que ainda domina destacada, com 74,3%. Em terceiro lugar surge a Iberdrola, com 6%, de acordo com os dados mais recentes da ERSE, de junho.

Também esta elétrica espanhola, já admitiu tanto em junho como agora em setembro que “a manter-se este cenário de elevada pressão nos preços grossistas, teremos de refletir, na menor medida possível, ajustes mediante uma revisão de valores”.

“A Iberdrola segue uma estratégia de aprovisionamento que protege os clientes durante o período contratual. No início de cada novo período propõem-se novos preços de mercado que contemplam não só o presente como a evolução futura”, admitiu a elétrica espanhola ao ECO/Capital Verde, sublinhando que tanto o segmento empresarial como o residencial “são diretamente afetados pela evolução dos preços grossistas no mercado”.

Do Governo, a Iberdrola esperava que “se materializassem as intenções do Executivo de redução da parte não-energia da fatura, indo ao encontro das necessidades dos consumidores”. Em Espanha, a Iberdrola arrisca perder 1,1 mil milhões de euros com o pacote de medidas que foi aprovado pelo Governo esta semana.

EDP e Galp não aumentam a luz, mas carregam no gás

Já o disse e volta agora a repetir: “EDP Comercial mantém que não vai alterar os preços para os clientes domésticos ao longo de 2021, quer para os clientes atuais, quer para novos clientes que queiram aderir à empresa”, disse fonte oficial ao ECO/Capital Verde. A elétrica diz que continua a acompanhar com atenção a subida dos preços no mercado grossista.

Também no início deste mês, a EDP considerava prematuro comentar a atualização tarifária prevista para o próximo ano, estando ainda a aguardar pela decisão tarifária da ERSE nas componentes reguladas”, disse a mesma fonte.

Quanto ao gás, o cenário já é diferente. A empresa confirmou esta quinta-feira que, perante a subida do preço da energia no mercado grossista, vai atualizar os preços do gás a partir de 1 de outubro, em linha com a decisão da ERSE. A atualização será de 14 cêntimos por mês para os casais sem filhos (perfil 1 definido pelo regulador), 6 cêntimos mensais para casais com dois dependentes (perfil 2) e de 19 cêntimos por mês para famílias numerosas (perfil 3, quatro dependentes)

Também a Galp sublinha que tem vindo a garantir nos últimos meses que o aumento do custo de energia não é refletido nos clientes domésticos, apesar de “o preço da eletricidade estar a ser influenciado pela atual conjuntura geopolítica, com impactos nos preços do gás natural e fatores meteorológicos como a menor produção de energia eólica”.

“A tabela de preços da Galp tem vindo a manter-se, apesar do contínuo acréscimo do preço da eletricidade no mercado grossista. Os preços da eletricidade são normalmente atualizados numa base anual, em linha com a revisão anual das tarifas e com a evolução dos custos da energia elétrica. Como é habitual, qualquer atualização será avaliada e anunciada atempadamente“, diz a Galp, que é a quarta comercializadora com maior número de clientes (5,3%) em Portugal.

No gás, a Galp confirmou já que “vai atualizar a 1 de outubro os preços finais, uma atualização que decorre nos termos contratualmente previstos e que reflete o aumento do custo da aquisição de gás natural, bem como as tarifas de acesso às redes aprovada pela ERSE”.

Nesta comercializadora, o impacto mensal será traduzido em “acréscimos médios entre os 50 e os 84 cêntimos nas tipologias de consumo mais representativas”.

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