Sabe o que é síndrome do impostor? 5 síndromes a que deve estar atento para gerir melhor as suas pessoas

Os líderes têm um papel decisivo na identificação precoce destas síndromes, de maneira a reduzir riscos e a potenciar os seus pontos fortes.

Já ouviu falar da síndrome do impostor? E do Peter Pan ou de boredout? Mais ou menos reconhecidas no mundo das organizações, nem sempre são claras no dia-a-dia das empresas e fácil a sua identificação. Os líderes têm um papel decisivo no reconhecimento precoce destas síndromes, de maneira a reduzir riscos e a potenciar os pontos fortes das equipas.

“Há que estar atento e ter jogo de cintura, já que qualquer um destes casos pode ser precursor ou sinal de alerta para patologias como depressão, distúrbios de ansiedade ou da personalidade, cujo diagnóstico e tratamento deve ser feito precocemente por profissionais especializados em saúde mental”, afirma a psicóloga Teresa Rebelo Pinto.

Saiba como identificar cada um destes bloqueios e como pode ajudar os membros da sua equipa.

1. Síndrome do impostor

“Quem sofre desta síndrome é rei da auto-sabotagem”, começa por dizer Teresa Rebelo Pinto. Independentemente da qualidade do seu desempenho, estas pessoas raramente estão satisfeitas e são as primeiras a desvalorizar as suas conquistas, mesmo quando estas são reconhecidas pelos outros.

São, geralmente, perfeccionistas e tendem a ser hipercríticos, sobretudo consigo próprios. “A competição faz parte deste perfil de pessoas, se for bem gerida é o seu ponto forte”, destaca.

  • Como pode um líder ajudar nestes casos?

– Estimular a comparação consigo próprio e não com os outros;

– Ajudar a aceitar as suas limitações e falhas, aprendendo a tolerar melhor os erros;

– Não dar espaço para a tentação de adiar sucessivamente as tarefas;

– Incentivar o autoelogio mais do que a autocrítica destrutiva;

– Reforçar a autoestima, denunciando todas as tentativas de auto-boicote (como, por exemplo, estar sempre a querer agradar).

2. Síndrome do Peter Pan

“Mais frequentemente atribuído aos homens (embora possa surgir também em mulheres), esta síndrome caracteriza as pessoas com relutância em amadurecer, mantendo estratégias imaturas de gestão das emoções. Regra geral, identificamos estas pessoas pela resistência ao compromisso e dificuldade em assumir responsabilidades”, explica a psicóloga.

Faz parte deste conjunto de comportamentos a tendência para procrastinar, a negociação constante e uma atitude muito egocêntrica.

  • O que pode fazer nestes casos, enquanto líder?

– Ser muito firme na relação com estas pessoas, estabelecendo e respeitando limites reais e não no reino da fantasia;

– Evitar as negociações, pensando a priori como estimular o interesse pelas tarefas propostas;

– Quando algo corre mal, não discutir de quem é a culpa, ajudando a assumir responsabilidades;

– Ajudar a crescer, mostrando que errar é humano e partilhando histórias do seu próprio crescimento pessoal e profissional.

3. Síndrome de burnout

Ao contrário das anteriores síndromes referidas, esta é uma das situações mais faladas em contexto empresarial. Contudo, nem sempre é detetada atempadamente, defende Teresa Rebelo Pinto.

“Também conhecido como esgotamento, esta síndrome caracteriza-se por um estado de exaustão física e psicológica que compromete o funcionamento adequado a vários níveis. A relação disfuncional com o trabalho, assente numa pressão excessiva face a objetivos, horários ou relações interpessoais, é frequentemente o despoletador desta síndrome.”

  • Como proceder?

– Estar atento aos sinais e encaminhar para profissionais de saúde quando surgem: alterações de apetite, sono e humor; fadiga constante e extrema; dores de cabeça ou outras queixas físicas; isolamento e sentimentos de solidão; sensação de fracasso, impotência e de não aguentar mais;

– Repensar em conjunto os objetivos de trabalho, tornando-os mais ajustados às capacidades e circunstâncias atuais;

– Permitir e promover hábitos de vida mais regrados, incluindo pausas, espaço para convívio e exercício físico;

– Praticar horários compatíveis com a qualidade do sono e da alimentação;

– Promover maior harmonia entre a vida profissional e pessoal, social, familiar.

4. Síndrome de boredout

“Acontece quando o tédio se instala e domina toda a relação com o contexto de trabalho, dificultando a definição de um propósito relevante na vida profissional. As pessoas com esta síndrome trabalham em piloto automático, porque tem de ser e sem grande energia”, diz Teresa Rebelo Pinto, em conversa com a Pessoas.

Os principais sinais de alerta são a falta de motivação, o desinteresse geral e a apatia. No entanto, pode surgir também alguma melancolia, manifestando-se tudo isto em períodos de grande inatividade ou estagnação profissional.

  • Como pode um líder ajudar nestes casos?

– Saber ouvir, tentando compreender melhor os motivos ligados ao distanciamento emocional instalado no ambiente de trabalho;

– Fazer pontos de situação periódicos, de forma a estar mais consciente e ir ao encontro das expectativas destas pessoas;

– Tornar o trabalho mais estimulante, criando novos desafios consecutivos;

– Dar espaço para a criatividade, permitindo pequenos ajustes no dia-a-dia que tornem o trabalho mais apelativo e permitam personalizá-lo.

5. Síndrome de Deus

Já quando nos deparamos com pessoas que “se sentem capazes de tudo”, “imunes aos problemas” que nos afetam a todos e “impermeáveis a críticas ou sugestões de melhoria”, podemos estar perante a síndrome de Deus.

“Por motivos variados, as pessoas nesta situação mostram-se arrogantes, sentindo-se superiores ao comum dos mortais. Quando se procura promover o trabalho em equipa, por vezes é difícil envolver pessoas nesta situação”, admite a psicóloga.

  • O que pode fazer o líder?

– Definir bem as tarefas de cada um, valorizando quando os limites são respeitados.

– Estimular a empatia e o respeito pelo outro.

– Proteger elementos mais frágeis da equipa, evitando situações de comparação e humilhação.

– Estar atento e reduzir ao máximo as oportunidades para abuso de poder.

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