Sem máscara? Empresas querem trabalhadores protegidos do vírus

Empresas irão manter a obrigatoriedade do uso de máscara, depois de o Governo dar possibilidade de as companhias decidirem sobre o seu uso no local de trabalho.

No “grande regresso ao escritório”, findo o teletrabalho e depois da “grande libertação”, o Governo deu às empresas a capacidade de decidir sobre a obrigatoriedade da máscara pelos trabalhadores. A decisão parece ser clara. Das telecomunicações, ao retalho, passando pelo setor tech, à energia, aos grupos de comunicação ou farmacêuticas, a máscara mantém-se dentro do escritório. Trabalhar sem máscara só mesmo quando sentado no posto de trabalho e apenas quando a distância de segurança o permite.

Na Vodafone Portugal, o regresso aos escritórios num modelo híbrido arrancou a 27 de setembro, recomendando a operadora que, nos dias de ida ao escritório, os colaboradores mantenham a máscara. “A empresa acredita no sentido de responsabilidade de cada colaborador, nomeadamente no cumprimento das regras que previnem esta pandemia, como a higienização permanente das mãos, o distanciamento físico e o uso de máscara em reuniões e nas deslocações dentro do edifício, garantindo-se assim um espaço de trabalho seguro“, adiantou Luísa Pestana, administradora com o pelouro dos recursos humanos da Vodafone, à Pessoas.

Recomendação que não se alterou depois do decreto-lei do Governo, que altera as medidas da pandemia, ditar que, “nos locais de trabalho, o empregador pode implementar as medidas técnicas e organizacionais que garantam a proteção dos trabalhadores, designadamente a utilização de equipamento de proteção individual adequado, como máscaras ou viseiras, sem prejuízo do disposto no Decreto-Lei n.º 84/97, de 16 de abril, na sua redação atual”.

E o mesmo determina a Nos que, já desde 6 de setembro, está a fazer regressar as equipas ao escritório, “num modelo que conjuga dois dias de trabalho presencial semanal com trabalho remoto, de forma rotativa para garantia das regras de segurança que ainda se impõem”. No regresso, entre outras medidas, a operadora impôs um sistema de hot desking, manteve a flexibilidade nos horários de entrada e saída, evitando a concentração de pessoas nos transportes públicos e no acesso aos edifícios, e também o uso máscara dentro dos edifícios.

Mantém-se em vigor a utilização da máscara nos espaços comuns, bem como todas as iniciativas relacionadas com o reforço da limpeza nos edifícios e alterações no sistema de ventilação dos mesmos”, refere fonte oficial quando contactada pela Pessoas.

No caso dos CTT, as regras do uso de máscaras, são distintas consoante os locais e a sua dimensão. Para os colaboradores é “obrigatório dentro das instalações da empresa, podendo aliviar o uso da mesma, apenas se cumprido o distanciamento de segurança e quando sentado no seu posto de trabalho”, refere fonte oficial do operador postal. Obrigatoriedade que se mantém para os trabalhadores no atendimento das lojas CTT. O seu uso poderá ser “apenas” aliviado “nas posições de retaguarda, desde que cumprido o distanciamento de segurança e quando sentado no seu posto de trabalho”.

Para os clientes que visitem lojas com área superior a 400m2 ou localizadas dentro de Centros Comerciais e Lojas de Cidadão o uso de máscara é “obrigatório” e “recomendado” no caso de lojas de menor dimensão (menos de 400m2), cumprindo-se as regras determinadas pela DGS.

“Na sequência da decisão do Governo em proceder ao levantamento gradual das restrições a partir do próximo dia 1 de outubro, o Grupo Jerónimo Martins continua empenhado em garantir a segurança de todos aqueles que trabalham nos escritórios centrais”, começa por referir fonte oficial do retalhista alimentar. Neste sentido, “continua a ser obrigatória a utilização de máscara nos escritórios centrais do Grupo, bem como de outras medidas de proteção“, adianta o grupo dono do Pingo Doce e do Recheio.

E o mesmo diz o grupo comunicação WYGroup, ele próprio recentemente a fazer regressar à sede “Casa de Praia”, os colaboradores. “Para já”, recomenda-se o uso de máscara. “No WYgroup, para já por uma questão de precaução e devido à falta de normas claras vamos manter a norma de recomendação de utilização de máscara. Caso a situação se altere, assim nós ajustaremos a nossa recomendação”, diz fonte oficial.

Na EDP no regresso ao escritório as regras já estão definidas quanto ao uso de máscara. “De forma a continuar a manter a segurança de todos os colaboradores, o uso de máscara será obrigatório aquando a circulação dos trabalhadores dentro dos edifícios. Esta poderá ser retirada quando o colaborador estiver sentado no seu posto de trabalho“, diz fonte oficial.

E o mesmo decidiu a Galp. “Vamos manter o uso de máscara obrigatório para os colaboradores e visitantes que estiverem nas instalações da empresa, em concreto no acesso e circulação dos edifícios e nos espaços fechados como elevadores, salas de reunião ou refeitórios”, diz fonte oficial da companhia. Já os colaborares que estiverem no seu posto de trabalho, com o devido distanciamento, “não têm de usar máscara“.

“Os colaboradores e visitantes terão de utilizar máscara nas instalações do Grupo Roche, quer na circulação dentro do edifício quer em reuniões”, diz fonte oficial do grupo que representa a Roche Farmacêutica e a Roche Diagnósticos. E, à semelhança de outras empresas, no grupo da área farmacêutica, “os colaboradores no posto de trabalho podem optar por não usar máscara, desde que seja possível manter pelo menos dois metros de distância de outra pessoa“.

Com quatro escritórios em Portugal, a Konica Minolta adotou um regime de trabalho flexível, quer nos horários, quer na escolha do local de onde se trabalha (casa ou escritório). “Oferecemos a todos os colaboradores autotestes para Covid-19 para que façam testagem em caso de sintomas e voltamos este ano a ter vacinação gratuita contra a gripe”, destaca Vasco Falcão, CEO da Konica Minolta Portugal e Espanha, à Pessoas.

“Com a evolução positiva da situação epidemiológica em Portugal e a liberdade de decisão sobre o uso de máscara no trabalho, a empresa decidiu apenas recomendar aos seus colaboradores que mantenham o seu uso em situações em que o distanciamento físico recomendado pelas autoridades se mostre impraticável”, adianta o CEO da Konica Minolta.

Com o escritório de Lisboa fechado desde o início da pandemia, com o levantamento das restrições a Pipedrive está a “planear reabrir o nosso escritório dentro de um mês.”

“A proteção da equipa é a nossa primeira prioridade e fornecemos um guia completo de prevenção de segurança para toda a nossa equipa”, adianta Cláudia Leitão, head of people & culture/site lead at Pipedrive Lisboa.

Na reabertura, o escritório “funcionará apenas com 70% de capacidade e isto aplica-se a todos os espaços comuns, incluindo salas de reunião e de trabalho”, adianta.

“Não exigiremos a utilização de máscara enquanto se está a trabalhar na própria mesa de trabalho, mas será obrigatório utilizá-la quando se entrar no escritório ou se deslocar nas áreas comuns. Outras práticas de saúde comuns que também continuarão a ser utilizadas são a higienização das mãos e aparelhos usados e o distanciamento social entre colegas de trabalho”.

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