Governo fala com eletrointensivas para “acomodar custos” da energia

  • Lusa
  • 11 Outubro 2021

O primeiro-ministro destaca a “estabilidade” no custo energético para as empresas no mercado regulado em 2022, adiantando estar "a trabalhar" também com as maiores consumidoras de energia.

António Costa garantiu esta segunda-feira que as medidas já adotadas pelo Governo “asseguram que, durante no próximo ano, [haverá] uma estabilidade do custo da energia no mercado regulado para o conjunto das empresas”.

Por outro lado, o chefe do Executivo socialista adiantou que está “a trabalhar com as [indústrias] eletrointensivas para encontrar a melhor resposta para [poder] também acomodar esses custos e não [terem] aí um custo acrescido”.

O primeiro-ministro, que falava na cerimónia de lançamento da primeira pedra na nova fábrica da BorgWarner no parque empresarial de Lanheses, em Viana do Castelo, destacou o “esforço” do Governo para “procurar contrariar algumas das condicionantes globais ao futuro da nossa economia, designadamente a elevação do custo de energia no mercado internacional”.

A subida de 1,05 euros por mês, em média, para a maioria dos consumidores de eletricidade em mercado regulado entrou em vigor este mês. Numa nota, publicada em 15 de setembro, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) explicou que a “tarifa de energia reflete o custo de aquisição de energia do Comercializador de Último Recurso (CUR) nos mercados grossistas, sendo uma das componentes que integra o preço final pago pelos consumidores no mercado regulado”.

De acordo com a ERSE, face ao aumento de preços de energia no Mercado Ibérico de Eletricidade (Mibel), a entidade “atualizou o preço da tarifa de energia do mercado regulado, em cinco euros por MWh, com efeitos a partir de 01 de outubro de 2021”, salientando que “para a maioria dos clientes domésticos do mercado regulado, com potência contratada de 3,45 kVA, a atualização será cerca de 1,05 euros na fatura média mensal”. Por outro lado, no caso de uma potência contratada de 6,9 kVA, o aumento rondará os 2,86 euros, indicou o regulador. Em julho a entidade já tinha aumentado o preço.

Para António Costa, Portugal “beneficiou da visão e do investimento que feito no passado”, referindo-se “ao maior índice de penetração das energias renováveis e uma menor dependência dos combustíveis fósseis”. “Precisamos, por isso, de sofrer menos que outros relativamente ao aumento das taxas de carbono. Mas essa vantagem competitiva é uma vantagem que temos de saber aproveitar e, sobretudo temos de continuar a incentivar acelerando a transição energética porque como se está a provar, quem investiu primeiro colhe também primeiro os seus frutos”, acrescentou.

Investir nos motores do futuro

Sobre o novo investimento da BorgWarner no parque empresarial de Lanheses, em Viana do Castelo, António Costa disse tratar-se de um “sinal de confiança” dos promotores internacionais em Portugal. “É uma mensagem muito importante sobretudo numa fase onde há enormes fatores de incerteza à escala global, estamos a sair de uma pandemia que implicou uma crise económica muitíssimo profunda, mas as empresas têm demonstrado enorme confiança na nossa economia”, referiu.

“Hoje sabemos que o primeiro semestre deste ano fixou um novo máximo histórico de investimento empresarial no nosso país e tudo indica que este ano de 2021 terá um novo máximo de investimento direto estrangeiro no nosso país”, especificou António Costa.

Para o primeiro-ministro, a nova fábrica de 25 milhões de euros que a multinacional americana tem em construção em Viana do Castelo, que criará 300 novos postos de trabalho “é um investimento que tem os olhos postos no futuro”.

“Vejo este investimento como mais um bom sinal para estar na liderança no processo de mutação civilizacional que o combate às alterações climáticas vai implicar. Não estamos à espera que acabem os motores a combustão; estamos, felizmente, a acolher as empresas que estão a investir nos motores do futuro e que assegurarão um novo futuro à indústria automóvel, setor que “tem um peso muito relevante na economia portuguesa”.

A unidade, já em construção, vai começar a produzir motores elétricos para o setor automóvel em 2023. O novo investimento resulta da aposta na transição energética, estimando que “45% do negócio da BorgWarner estará centrado na produção de motores elétricos” em 2030.

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