“Eleitores do PS, PCP e BE não perceberiam” se OE chumbasse, diz Siza Vieira

Ministro de Estado e da Economia defende que o Governo apresentou um bom OE. Diz que haverá negociações com os partidos da esquerda, alertando para os riscos de o documento chumbar.

Primeiro o Bloco, depois o PCP. Os dois partidos à esquerda do PS não estão satisfeitos com a proposta de Orçamento do Estado para 2022 entregue pelo Governo na Assembleia da República. Dizem que como está, a proposta não passa. Siza Vieira diz que o documento é “bom”, reconhece que há uma “negociação séria” a fazer até à votação final global, deixando o alerta para o risco de se enfrentar um chumbo. Diz que os eleitores de ambos os partidos não perceberiam” se o OE fosse chumbado.

“Tenho a absoluta convicção de que os eleitores destes três partidos [PS, PCP e BE] não perceberiam se estes partidos não fossem capazes de viabilizar uma proposta de Orçamento. Seguramente seria muito difícil explicar isso ao eleitorado”, disse o ministro de Estado e da Economia na Grande Entrevista da RTP3.

Siza deixou este alerta após ser questionado sobre se o PSD poderia ser opção para a viabilização do OE, algo que afasta por completo. “A ‘carta’ PSD está fora do baralho [no jogo do OE]? “Nem vejo como ela se justifique”, atirou Siza, garantindo que o foco está em assegurar a viabilização do documento com os partidos à esquerda.

Tenho a absoluta convicção de que os eleitores destes três partidos [PS, PCP e BE] não perceberiam se estes partidos não fossem capazes de viabilizar uma proposta de Orçamento.

Siza Vieira

Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital

Estas declarações foram proferidas no dia em que o Presidente da República veio afirmar que acredita que haverá um entendimento, mas deixou o alerta para o risco de o país acabar num cenário de eleições antecipadas, caso o chumbo seja uma realidade.

“Tenho para mim que o natural é que, com mais ou menos entendimento ou mais ou menos paciência, OE acaba por passar na Assembleia”, disse Marcelo Rebelo de Sousa. Mas deixou o alerta: numa altura em que sai de uma pandemia e precisa de fundos europeus, “não deve ter seis meses de paragem no pior momento por causa de eleições”.

Siza quer “uma negociação séria”

O ministro da Economia diz que, entregue a proposta de OE no Parlamento, “vamos manifestar a disponibilidade do Governo [junto do PCP e do BE] no sentido de assegurar as condições da sua viabilização”. Siza diz que a fase que se segue, a da negociação, “não se trata de um ritual com desfecho certo, é uma negociação séria”. E essa negociação “implica disponibilidade de ambas as partes para chegarem aos compromissos que correspondem às suas posições”.

"Uma coisa eu sei: se o OE não for aprovado, nenhum destes objetivos, o de aumento dos rendimentos, da redução das desigualdades, do reforço dos serviços públicos, será atingido.”

Siza Vieira

Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital

Esta abertura existe, mesmo depois de, salienta Siza, muitas das reivindicações terem já sido incluídas na proposta entregue no Parlamento. “Estamos ou não a caminhar para o sentido de ganhos que estes partidos pretendem?”, questionou Siza, notando as medidas do OE no sentido do aumento de rendimentos, com a revisão dos escalões do IRS, mas também o aumento da Função Pública, mas também medidas no sentido da redução das desigualdades, de valorização dos jovens. E também o investimento público, que dará um salto em 2022.

“Uma coisa eu sei: se o OE não for aprovado, nenhum destes objetivos, o de aumento dos rendimentos, da redução das desigualdades, do reforço dos serviços públicos, será atingido“, atirou Siza.

(Notícia atualizada às 23h57 com mais informação)

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