Laura Butler, da Talkdesk: “Revelar a magia humana é maravilhoso”premium

Descobrir e colocar o talento certo para o momento que as empresas precisam é o drive que motiva Laura Butler. Encontrar as “faíscas” de talento, a magia humana, e também os unicórnios.

Depois de mais de vinte anos a descobrir a “faísca” que transforma uma pessoa no elemento certo para uma empresa, Laura Butler juntou-se à Talkdesk. É a primeira chief human resources officer da unicórnio nacional. O fit certo para quem dedicou o seu talento a revelar a “magia humana” em em presas Fortune 500 e Cloud 100, como a TeleTech, a Taleo/Oracle, a Pacific Gas & Electric, a Adobe ou a WorkForce Software. A energia de uma empresa unicórnio foi difícil de resistir.

“Sinto-me energizada pelas oportunidades que um unicórnio tem de fazer, testar novas coisas e pensar de forma diferente”, afirma. “Porque é que uma empresa é um unicórnio? Porque oferece algo novo ao mercado, que não existia. Há um nível incrível de inovação, um olhar diferente para os problemas e a agilidade para fazer acontecer”, destaca.

Chega à startup portuguesa, fundada em 2011, num momento em que a trajetória desenhada é clara: crescer. Para isso, estão a recrutar para dar músculo humano a essa ambição – em março anunciaram planos de contratar até final do ano 500 colaboradores – e há que encontrar o talento certo. Laura Butler está no coração do que faz o unicórnio voar. “Quando olha para os negócios, o que os faz ter sucesso são as pessoas. Estar envolvida em RH é, para mim, trabalhar no maior motor de valor de uma empresa: as pessoas. E penso que isso é fantástico”, diz.

“As pessoas são únicas, imprevisíveis, inovadoras, criativas. Há tantas coisas mágicas em torno das pessoas e revelar essa magia humana é super excitante, maravilhoso. É muito reconfortante assistir a isso, ser o motor do crescimento da companhia e ter um papel nisso. Foi o que me atraiu ao setor de RH”, admite à Pessoas. E também a capacidade de mudar o status quo. Os RH estão numa posição única para influenciar as mudanças nas empresas e, quem sabe, com esse bater de asas de borboleta o próprio setor onde se inserem. Criar condições, por exemplo, para dar maior espaço a segmentos sub-representados. Como as mulheres nas tech. “Há uma falta massiva de trabalhadores e precisamos de o maior número possível de pessoas a participar. A capacidade de influenciar as comunidades onde estamos, ajudar a nossa força de trabalho a refletir a nossa base de clientes é muito estimulante para mim”, reconhece.

Procuro a faísca na pessoa. Que tenha a vontade e a capacidade de fazer algo fantástico. Dar-lhe a exposição para que possa fazer coisas incríveis.

Na Talkdesk metade das equipas de liderança sénior são mulheres. “Faz uma enorme diferença quando nos juntamos a uma empresa – sei que teve para mim – vermo-nos representados nas equipas de liderança, queremos saber se podemos chegar a algum lugar na companhia”, defende. “Ter esse tipo de diversidade no topo ajuda a atrair talento. Adicionalmente, quando olhamos para a nossa equipa de desenvolvimento estamos a assegurar que temos uma maior diversidade, mais mulheres. Mais mulheres na empresa significa também garantir que tenham uma carreira e o ambiente para serem bem-sucedidas, que estão inseridas nas equipas”, argumenta. Mas há muito trabalho que tem de ser feito – a começar no ensino – para incentivar a que mais mulheres se sintam atraídas pelas tech e olhem para o setor como uma via de carreira, acredita.

“Procuro a faísca na pessoa. Que tenha a vontade e a capacidade de fazer algo fantástico. Dar-lhe a exposição para que possa fazer coisas incríveis”, diz, quando questionada sobre o que procura no talento quando está a recrutar. E há que arriscar. Fazer diferente para que essa faísca se transforme numa chama. Laura Butler lembra alguns momentos em que, com a escolha de pessoas, se fez magia.

Numa das empresas onde trabalhou integraram vários estagiários, de uma universidade local, que estavam no espetro autista. “Só o facto de os recebermos, de os treinarmos, foi fantástico. Tivemos alguns funcionários que, mais tarde, nos abordaram e revelaram que também estavam nesse espetro, que depois disso, se sentiam mais incluídos, capazes de serem eles mesmos”, conta. “Trouxemos indivíduos de diversos backgrounds étnicos para a organização como estagiários e isso, de novo, afetou os trabalhadores. Fizeram-nos sentir que pertenciam, que podem fazer excelente trabalho, porque veem diferentes tipos de pessoas a chegar à empresa. Isso liberta as pessoas e desbloqueia a magia humana.”

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