Efacec aponta 20 milhões de prejuízos em 2021. Reprivatização em risco

As contas da Efacec continuam a degradar-se face aos números que constam do plano de reprivatização, que está em curso. Continuidade de Ângelo Ramalho posta em causa.

O Governo prometeu a conclusão do processo de reprivatização de 71,73% da Efacec até ao final de novembro, mas torna-se mais difícil a cada dia que passa cumprir esse objetivo, à medida que a degradação dos resultados da companhia são evidenciados. Na última semana, a empresa liderada por Ângelo Ramalho reuniu com os dois candidatos à reprivatização, a Sodécia e a DST, no âmbito da terceira fase de negociação do processo, e comunicou números significativamente piores do que aqueles que serviram de base às propostas vinculativas já apresentadas. De resultados operacionais positivos, a Efacec já admite cerca de 20 milhões de prejuízo operacionais, isto é EBITDA negativo.

Quando o ECO revelou em primeira mão que as contas até setembro mostravam um resultado operacional negativo de 12 milhões de euros e dúvidas sobre a continuidade da empresa, a gestão da Efacec fez uma espécie de desmentido sem desmentir. Mas agora, nas reuniões com a Sodécia e DST, nas quais participaram também a acionista Parpública e o banco que assessora a operação, o Haitong, a Efacec fez uma estimativa de resultados até ao final do ano, e são diferentes daqueles que constavam da ‘data room’. Afinal, os resultados positivos vão transformar-se num EBITDA negativo da ordem dos 20 milhões de euros, a dívida bruta sobe para valores na ordem dos 190 milhões, a faturação cai cerca de 50 milhões face ao estimado inicialmente (290 milhões) e as dívidas vencidas a fornecedores já rondam os 80 milhões de euros.

Perante estes números, explicados por uma degradação inesperada da atividade nos meses e julho e agosto, explicação que não convence os dois candidatos, a reprivatização da empresa tem duas evoluções: Os candidatos querem rever as propostas em função dos novos números e, por isso, ganha força a probabilidade de o processo passar para 2022. O que traz mais uma dificuldade: Como é que a empresa vai ter fundos para pagar os salários dos próximos meses? Até à publicação desta notícia, não foi possível contactar a Efacec.

O Estado já garantiu um empréstimo de 70 milhões de euros à Efacec, que dificilmente será recuperado, e agora a administração da Efacec está numa luta contra o tempo para arranjar um novo financiamento, da ordem dos 40 milhões de euros. Ângelo Ramalho estará a tentar negociar garantias bancárias que permitam libertas ‘retenções’ de clientes e assim ter fundos para o pagamento de salários. Terá confidenciado que espera ter uma solução até ao final do mês, mas até ver sem resultados concretos.

A gestão executiva da Efacec disse aos dois candidatos que foi surpreendida com os resultados negativos nos meses de julho e agosto por motivos alegadamente inesperado e por isso terão sido demitidos dois diretores superiores, um deles do risco (com indemnizações elevadas). Foram assim identificados pelo menos dois responsáveis, mas o mal-estar entre o acionista Estado, a Parpública representado por Jaime Andrez, e o presidente executivo Ângelo Ramalho é crescente. O próprio gestor já terá manifestado disponibilidade para sair, na sequência de uma reunião do conselho de administração em meados de setembro, o que foi recusado por causa do processo de reprivatização. Mas a situação terá evoluído. Ângelo Ramalho deu uma entrevista ao Jornal de Negócios que caiu mal junto de acionistas e da banca — o gestor acusou a banca de ser responsável pelas dificuldades da Efacec — e mais recentemente é comentado com desagrado que o gestor trocou de viatura no momento em que anuncia resultados muito piores do que os anteriormente comunicados.

Recentemente, o ministro Siza Vieira, que protagonizou a nacionalização maioritária da Efacec, mostrou-se preocupado e confiante. “Mas a melhor solução para o tema da Efacec é assegurar que, o mais rapidamente possível, encontra um novo acionista de controlo, que lhe possa dar capacidade de gestão, capitalização e colocar a empresa no rumo certo para continuar a servir o país”, disse Siza Vieira. Agora, com estes números, a preocupação deve ter aumentado, porque é a reprivatização que está em risco (ou será feita com mais injeção de dinheiros públicos).

Nota: Por lapso foi escrito que a Efacec não respondeu às perguntas. Até à publicação da notícia, cuja informação foi obtida ao longo do fim de semana, não foi possível contactar a Efacec. Até às 18h00 desta segunda-feira, a Efacec ainda não tinha prestado qualquer informação adicional ao ECO.

 

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