Banca propõe aumentos de 0,2%. Sindicatos falam em subidas “miseráveis”

No âmbito das negociações salariais para este ano, os bancos propõem aumentos entre os 0,15% e 0,2%. Os sindicatos falam numa "inadmissível postura intransigente e ameaçadora".

Os bancos têm estado a negociar com os trabalhadores a atualização das tabelas salariais e, depois das propostas apresentadas pelos sindicatos, contrapropuseram aumentos entre os 0,15% e os 0,2%.

No entanto, para o Sindicato do Setor Financeiro (Mais) e o Sindicato dos Bancários do Centro (SBC), estes valores são “miseráveis”, sobretudo num ano em que o setor apresentou lucros, distribuiu dividendos e despediu “milhares de trabalhadores”.

“Se não fosse triste, seria risível”, afirmam num comunicado enviado esta terça-feira, numa crítica aos aumentos unilaterais de 0,2% propostos pelos bancos e, especialmente, à revisão média de 0,15% apresentada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), “com valorização dos níveis abaixo dos 1.000 euros”.

A última reunião aconteceu a 11 de outubro, mas as contrapropostas ficaram abaixo do esperado. “Numa altura em que todos os indicadores se revelam favoráveis quanto ao crescimento da economia, em que a banca apresenta lucros e distribui dividendos, que a previsão da inflação é de 0,7%, encerram-se balcões e reduzem-se milhares de postos de trabalho, a recompensa dos que diariamente se sacrificam é 0,2%“, contestam.

Além disso, segundo a mesma fonte, os bancos indicaram que, mesmo que os sindicatos não aceitem aquele aumento, ele será aplicado unilateralmente. “Ao arrepio das normas e da boa-fé, a banca optou pelo unilateralismo como forma de negociação, o que os sindicatos nunca aceitarão”, acrescenta o comunicado.

Do lado do MAIS e da SBC, as subidas propostas foram recusadas “de imediato”. Os sindicatos consideram “inadmissível a postura intransigente e ameaçadora” dos bancos. “Está na altura de efetivamente negociarem com os sindicatos em vez de insistirem neste patético simulacro”, referem, notando ainda que esperam, “o mais rapidamente possível”, arrancar com as negociações.

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