Mulher de João Rendeiro detida pela PJ

  • ECO
  • 3 Novembro 2021

Inquérito do DCIAP está relacionado com um alegado esquema de branqueamento de capitais, que envolve também Maria de Jesus Rendeiro. PJ fez buscas na Quinta Patino e na casa do líder da ANTRAL.

A Polícia Judiciária está a realizar esta manhã buscas na casa do presidente da ANTRAL (Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros), Florêncio de Almeida, e também na Quinta Patino. Segundo a RTP, a mulher de João Rendeiro foi detida na sequência de um mandado que teve em conta o “forte perigo de fuga, para a aquisição e conservação da prova e para a descoberta da verdade”.

Em causa está um inquérito do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) que nada tem a ver com os outros processos em que o ex-presidente do BPP foi condenado. Esta investigação à parte, que conta com a colaboração dos inspetores da unidade nacional de combate à corrupção da PJ e da Autoridade Tributária, é relativa a um alegado esquema de branqueamento de capitais, que terá tido a conivência de Maria de Jesus Rendeiro, que vai passar a noite na prisão de Tires.

A mulher do ex-banqueiro tinha sido interrogada na sexta-feira pelo tribunal, depois de falhar o prazo de entrega de 15 obras de arte apreendidas em 2010 e que em recente diligência não foram encontradas. Mas a sessão acabou por ser suspensa, devido à falta de condições psicológicas de Maria de Jesus Rendeiro, que nesse processo pode vir a incorrer no crime de descaminho e desobediência por não conseguir explicar o rasto de oito obras de arte arrestadas pela Justiça.

Já neste inquérito do DCIAP e que motivou esta manhã as buscas nas casas de Rendeiro, mas também do presidente da ANTRAL e do seu filho – foi motorista do ex-banqueiro durante vários anos – há suspeitas relativas aos negócios imobiliários em que os três participaram. E que acabam agora por envolver igualmente Maria de Jesus Rendeiro, a quem foi cedido por 15 anos e pouco mais de 200 mil euros o usufruto da casa situada num dos condomínios mais exclusivos do país, em Cascais.

De acordo com a RTP, que cita documentos da investigação em curso, João Rendeiro passou um apartamento para o nome do presidente da ANTRAL em 2015, apesar de não haver qualquer comprovativo de que esse ativo tenha sido efetivamente pago. Três anos depois, Florêncio de Almeida cedeu-a ao filho, acabando por ser vendida por um preço três vezes superior ao da suposta aquisição (1,4 milhões de euros). Dinheiro que terá servido para comprar uma propriedade no Alentejo e o apartamento na Quinta Patino — em dinheiro e junto à mansão do patrão –, cujo usufruto foi cedido à mulher de Rendeiro.

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