Dielmar entra em agonia com Outfit 21 fora da corrida e salários em atraso

"Não havendo propostas para viabilizar a empresa, o único caminho é o encerramento definitivo", admite o sindicato depois de a Outfit desistir de comprar a Dielmar por falta de financiamento.

A menos de uma semana da Assembleia de credores da Dielmar, o cenário, que nunca pareceu promissor, parece cada vez mais sombrio para a empresa de Alcains. A Outfit 21 está oficialmente fora da corrida depois de ver recusado o empréstimo de que dependia a proposta de compra.

A desistência foi confirmada ao ECO pelo proprietário da empresa de Leiria. “A Outfit 21 não vai comprar a Dielmar devido à falta de financiamento. Já desistimos“, referiu Vítor Madeira Fernandes. A proposta apresentada à massa insolvente ascendia a 410 mil euros, acrescido de um valor para o pagamento dos salários de outubro.

Também a proposta sugerida por um empresário de Viseu, que surpreendeu os credores na última assembleia ao oferecer dez milhões pela Dielmar, parece ter o mesmo caminho. O líder da Outfit 21 garante que o concorrente “não fez o que tinha prometido”, isto é, um depósito dois milhões de euros, a que se somariam oito milhões aquando da tramitação legal].

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa, Marisa Tavares, salvaguarda ao ECO que “ninguém se pronunciou” ainda sobre o afastamento definitivo de Cláudio Nunes. O Público noticiou que o autor da alegada proposta milionária está acusado pelo Ministério Público de crimes de burla e falsificação, citando fontes a declarar que o jovem “nada tem” em dinheiro ou outros ativos, “vive com a avó e conduz um Twingo vermelho”.

Perante este cenário e com a assembleia de credores agendada para 10 de novembro, o futuro da Dielmar deve mesmo passar pelo encerramento definitivo, como admite já Marisa Tavares. “Como é óbvio, ficamos aqui numa situação difícil porque, na prática, deixam de existir propostas concretas”, referiu esta quinta-feira à agência Lusa.

“Se não houver propostas e com estas condicionantes todas, tendo a Outfit retirado a proposta, o administrador [de insolvência] vai propor uma saída. Não havendo propostas para viabilizar a empresa, o único caminho é o encerramento definitivo. Mas isto não posso ser eu a dizer nem ninguém, vai ser a assembleia de credores a decidir”, resume a dirigente sindical.

Sindicato continua a pressionar Governo

Além do futuro incerto, os cerca de 240 colaboradores da empresa de vestuário, que está sem qualquer atividade, ainda não receberam os ordenados de outubro. A estrutura sindical continua a “exigir ao Ministério da Economia o pagamento dos salários em atraso”, apesar de realçar que, até ao momento, “não há nenhuma solução nem nenhuma garantia”.

A Dielmar, que era uma das maiores empregadoras da região da Beira Baixa, deixou uma dívida ao Estado de oito milhões de euros, à banca de cerca de seis milhões e ainda 2,5 milhões a fornecedores e 1,7 milhões à Segurança Social. O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse logo no início deste processo que o dinheiro público não serve para salvar empresários” e reconheceu que “se calhar” o Estado não vai recuperar o montante concedido à empresa.

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