Lista B ao Montepio quer abrir capital do banco a parceiro de “longo prazo”

Pedro Corte Real defende a abertura do capital do Banco Montepio a um parceiro que olhe para o longo prazo, com a Associação Mutualista a manter o controlo. E lançou críticas às outras listas.

A Lista B candidata aos órgãos sociais da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) defende “alguma abertura do capital” do banco a um parceiro que olhe para o “longo prazo”, seja ou não da economia social, e admite negociar com o Governo um apoio igual aos que os bancos tiveram durante a troika, através das chamadas obrigações de capital contingente (os Cocos).

Pedro Corte Real, que encabeça a lista que tem como objetivo “Reconstruir o Montepio”, apresentou a sua equipa e programa esta quarta-feira em Lisboa para as eleições para a AMMG que se realizam a 17 de dezembro, as quais terão uma “importância decisiva para a instituição, quiçá para garantir a sua própria existência”.

Perante uma plateia de algumas dezenas de associados, Corte Real considerou que o Banco Montepio está sólido e robusto, mas “precisa de capital para a sua atividade que não tem neste momento e, em cima disso, a Associação Mutualista também não pode acudir ao banco”.

“Temos aqui um problema que terá de ser resolvido e nós, sem qualquer medo de o dizer, iremos, assim que vencermos as eleições, sentarmo-nos com as administrações e perceber como podemos começar a preparar uma solução para o banco que muito dificilmente não passe por alguma abertura do capital, com controlo da Associação Mutualista”, afirmou o candidato da lista B.

Segundo Pedro Corte Real, “terá de ser um parceiro que olhe para estas parcerias no longo prazo e que perceba que está a fazer uma parceria com um banco que é detido por uma associação mutualista”. “Estabelecendo as condições que exigimos para o parceiro, de certeza que iremos encontrar um parceiro para associar à marca Montepio, que tem sido muito maltratada”, disse.

Aos jornalistas, esclareceu que irá chamar para este processo os reguladores e o Governo “que, com certeza, estarão disponíveis para se sentarem à mesa para desenharem um plano que permita a entrada de um parceiro, seja ou não seja da economia social”.

Corte Real afastou uma “solução de mercado pura e direta”, pois seria o “golpe de morte” para o banco e “uma traição” para os 600 mil associados. Pretende antes que a solução defenda “os interesses dos mutualistas” e que o parceiro respeite os princípios do mutualismo, e “com o banco a tornar-se num instrumento para servir a Associação Mutualista e não o contrário”.

Em relação ao apoio do Governo, Pedro Corte Real admitiu olhar “para um conjunto de soluções que ajudaram bastante a banca nacional, com grande sofrimento dos bancos, mas que tiveram de ser naquele período da troika”, os chamados Cocos. “Hoje em dia, esses bancos recuperaram, já voltaram aos lucros e pagaram aqueles empréstimos e é uma banca que recuperou, não é uma banca doente”, precisou.

Corte Real assumiu-se ainda como a única lista capaz de “reconstruir o Montepio”, descomprometida com o passado e sem qualquer ligações políticas ou religiosas, lançando críticas à concorrência.

“A lista A reúne a atual administração que teve como presidente — até ser afastado — Tomás Correia, e uma herança de contas desastrosas”, começou por dizer.

“Quanto à lista incumbente numero 2, a Lista D, intitula-se a lista dos quadros. Mas que quadros? Quadros de Tomás Correia, que deixou a Associação Mutualista no estado em que está e está a ser investigado judicialmente e pelos reguladores”, atirou. “O candidato a presidente desta lista D é um quadro do Montepio, mas do Montepio de Tomás Correia, e foi um dos seus homens em operações ruinosas com a compra do Finibanco, por exemplo, que deixou prejuízos de centenas de milhões de euros para o Montepio”, disse.

Sobre a lista C, de Eugénio Rosa, disse que está conotada com um partido político e não reúne por isso condições para liderar a AMMG.

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