“Desproporcional”, “preocupação acrescida”. A reação dos patrões às novas restrições

  • Lusa e ECO
  • 25 Novembro 2021

CIP e AEP já reagiram às novas medidas para travar a Covid. CIP diz que teletrabalho obrigatório é "desproporcional". AEP admite "preocupação acrescida" e já prepara "ajustamentos".

O teletrabalho volta a ser recomendado e será obrigatório entre 2 e 9 de janeiro, semana de contenção de contactos após as festividades do Natal e do fim do ano “Sempre que possível, o teletrabalho é recomendável para evitar excesso de contactos que permitam agravar a situação de pandemia”, disse o primeiro-ministro, António Costa, no final da reunião do Conselho de Ministros que aprovou medidas para conter a pandemia de covid-19.

O Conselho de Ministros decidiu ainda que o teletrabalho vai ser obrigatório entre 2 e 9 de janeiro, semana de contenção de contactos.

Além disso, o certificado digital covid-19 volta a ser obrigatório no acesso a restaurantes, estabelecimentos turísticos e alojamento local a partir de 1 de dezembro e “os testes [à covid-19] passam a ser obrigatórios para qualquer entrada em território nacional, seja qual for o ponto de origem e seja qual for a nacionalidade do passageiro”, disse o primeiro-ministro.

Leia as reações das associações patronais:

Teletrabalho é uma medida “desproporcional”

O teletrabalho é uma medida “desproporcional” em relação ao objetivo, disse à Lusa Armindo Monteiro, um dos vice-presidentes da CIP – Confederação Empresarial de Portugal.

“Não posso ignorar que estamos com muitos casos e eles cresceram de forma exponencial, mas também não podemos ignorar que somos dos países mais vacinados e, por isso, a CIP não pode concordar com esta medida”, indicou, referindo que estão a ser “expiados os pecados do que aconteceu no Natal do ano passado”.

Armindo Monteiro salientou que há um “cuidado que parece excessivo”, visto que há um ano não havia “o nível de vacinação que há hoje e que impede a doença grave e muito grave”.

Aqui parece uma desproporção em relação ao objetivo”, destacou, referindo que deveria “haver uma correspondência entre o custo e o objetivo da medida”, o que, defende, não há.

Novas medidas são “motivo de preocupação acrescida”, aponta AEP

O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro, disse que as novas medidas, aprovadas pelo Governo, para conter a pandemia são “motivo de preocupação acrescida” e que podem afetar o consumo no Natal.

As novas medidas exigem que haja alguma clarificação relativamente à sua aplicação e aos setores de atividade aos quais” são dirigidas, salientou, em declarações à Lusa. Acerca do teletrabalho “é preciso perceber de que forma e em que setores será aplicado”, referiu, apontando que a escola só vai começar “a partir de 10 de janeiro e quem tiver filhos mais novos terá de tomar conta deles”.

“Temos ainda a questão do impacto emocional”, referiu, sublinhando que havia uma sensação “de que teríamos ultrapassado isto e afinal temos aqui um desafio pela frente”. “Vamos ainda ver o impacto que isto terá no comportamento dos consumidores, no Natal, nas compras, na predisposição das pessoas para viver este período de festa. E no facto de não podermos ter uma passagem de ano em condições normais”, destacou o líder associativo.

Luís Miguel Ribeiro recordou ainda que está em processo de montagem a feira EMAF, na Exponor, de máquinas, equipamentos e robótica, que contava com um cenário, mas agora terá de ter “ajustamentos”. “Percebo que estamos a acautelar uma situação, tendo em conta o que aconteceu no ano passado”, reconheceu, mas salientou que “é sempre motivo de preocupação acrescida”.

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