Numeric entra nas “Big 15” da consultoria com mão em Lisboa e olho no Porto

A consultora integrou a lisboeta Acountia Marquês de Pombal e abre escritório no Porto em 2022. Envelhecimento e digitalização são "oportunidade" para comprar carteiras de clientes na contabilidade.

A estrutura da Acountia Marquês de Pombal, que tem escritórios no centro de Lisboa e em Caldas da Rainha, com um total de 17 colaboradores, deixa de ser franchisada do grupo Onebiz e, mantendo os sócios originais (Gonçalo Peres e Ricardo Miguel), acaba de ser integrada no Numeric Consulting Group, passando a operar com esta nova marca.

Especializado nas áreas de contabilidade, payroll (recursos humanos e processamento de vencimentos) e fiscalidade, o grupo liderado por Carlos Rodrigues e Sérgio Ramos reclama que, com esta integração, passa a ser “uma das 15 maiores empresas do setor da consultoria a nível nacional”.

“Tirando as Big 4 [Deloitte, PwC, EY e KMPG], que estão noutro campeonato, no nosso tipo de consultoria, as concorrentes no mercado português são da nossa dimensão ou mais pequenas”, descreve ao ECO o partner Carlos Rodrigues, apontando à entrada no “top 10” a médio prazo. Entre as novas áreas de negócio a explorar está a dos incentivos empresariais, no PT2030 e no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Carlos Rodrigues, partner do Numeric Consulting Group.

Após esta operação com a Acountia Marquês de Pombal, que faturava meio milhão de euros, passa a somar 57 consultores em Portugal, espalhados também pelos escritórios em Lisboa (Alcântara) e Cascais. “Queremos expandir a marca. Era algo que tínhamos em mente há muito tempo e achámos ser a altura exata para o fazer porque o mercado da contabilidade vai concentrar. E para nos mantermos competitivos e trazermos pessoas que tenham competência e qualidade”, justifica o gestor.

A expansão vai continuar em 2022 e mais a Norte. Carlos Rodrigues adianta que “já está identificada a pessoa que vai liderar operacionalmente um escritório no Porto”, que vai ser criado de raiz, embora não feche a porta a aquisições. A Numeric já tem na carteira alguns clientes nortenhos e acredita que, com esta presença mais próxima em termos geográficos, “de certeza que vai crescer o portefólio”.

A profissão está envelhecida e vão existir muitas oportunidades para comprar. Há muitas pessoas na área da contabilidade que não vão conseguir acompanhar a digitalização e vão sair.

Carlos Rodrigues

Partner do Numeric Consulting Group

O grupo conta fechar este ano com uma faturação de 1,7 milhões de euros e prevê um crescimento orgânico na ordem dos 10% a 15% no próximo ano. “Mas se houver outras aquisições de carteiras e noutros distritos, podemos crescer mais. A profissão está envelhecida e vão existir muitas oportunidades para comprar. Há muitas pessoas na área da contabilidade que não vão conseguir acompanhar a digitalização e vão sair”, perspetiva.

Pé no Brasil e “muito apoio fiscal”

Fundada em 2015 em resultado de uma cisão de uma outra empresa de consultoria (BTOC), a Numeric ficou na altura com uma carteira de clientes em Portugal e com uma empresa de consultoria em São Paulo, no Brasil, que tem atualmente 50 pessoas. Essa operação internacional arrancou em 2011, na altura para acompanhar os empresários portugueses que estavam a investir do outro lado do Atlântico e, apesar de ter ainda alguns clientes nacionais, como a Sovena, a maior parte são agora brasileiros.

O grupo soma cerca de 800 clientes de vários setores de atividade, sobretudo prestadoras de serviços, e de todas as dimensões, desde micro a pequenas e médias empresas, assim como filiais de empresas cotadas. Cerca de 20% são sucursais de empresas estrangeiras – mais recentemente tem-se destacado o setor da engenharia informática – e em termos de origens o Brasil, que representa um em cada dez clientes.

Que serviços procuram? Além da contabilidade e do payroll, “muito apoio fiscal”. “Há também empresários em nome individual que estão a montar o seu negócio em Portugal e que procuram igualmente muito a consultoria fiscal porque antes do investimento estão interessados em saber o que vão ganhar, o que vão gastar e quais os impostos com que têm de se preocupar”, ilustra Carlos Rodrigues.

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