João Rendeiro já está no tribunal onde vai ser ouvido

  • Lusa e ECO
  • 13 Dezembro 2021

Rendeiro deverá ser ouvido a partir 9h00 em Portugal, altura em que no tribunal começam a ser distribuídos os novos casos. Só nessa altura se saberá qual o juiz que o vai ouvir.

O ex-banqueiro João Rendeiro já se encontra no tribunal de Verulam, nos subúrbios de Durban, onde vai ser presente esta segunda-feira perante um juiz pela primeira vez desde que foi detido no sábado, disse à Lusa fonte dos serviços.

“Chegou cedo, está aqui sob nossa custódia”, referiu fonte do tribunal, onde as audiências arrancam pelas 09:00 (07:00 em Portugal).

João Rendeiro deverá ser ouvido a partir das 11h00 locais (09h00 em Portugal), altura em que, no tribunal com oito diferentes juízos, começam a ser distribuídos os novos casos, explicou à Lusa fonte da instituição.

Só nessa altura é que se saberá qual o juiz que vai ouvir o ex-banqueiro.

Até lá, decorrem dezenas de outros casos cujos intervenientes fazem fila na rua, à porta das instalações.

O conselheiro da embaixada de Portugal na África do Sul, Manuel Grainha do Vale, que está a acompanhar a audição, apesar de tal não ter sido solicitado por João Rendeiro, disse que importa, neste momento, confrontar o ex-banqueiro João Rendeiro com as autoridades sul-africanas, adiantando que “a Justiça tem os seus tempos”.

O Governo português acompanha este assunto com o interesse que merece, uma vez que se trata de um cidadão português que está foragido da justiça” e, acrescentou: “o que nos parece é que temos de o levar à atuação das autoridades sul-africanas”. “A Justiça tem os seus tempos, aí não podemos fazer nada“, disse quanto à “rapidez do processo”, e as vias que se seguirão, nomeadamente quanto à extradição.

O conselheiro falava à entrada do tribunal de magistratura de Verulam, arredores de Durban, cidade da costa do Índico da África do Sul, onde o ex-banqueiro vai ser ouvido em primeiro interrogatório após a detenção feita no sábado.

O conselheiro e o cônsul honorário português em Durban, Elias de Sousa, apresentaram-se à porta do tribunal “por iniciativa própria” da representação diplomática portuguesa, porque Rendeiro “não pediu ajuda” ao Estado português pelas vias diplomáticas na África do Sul, referiu Manuel Grainha do Vale.

“Parece que temos a louvar a atuação das autoridades sul-africanas, que foram muito diligentes neste processo. Isso reflete a boa cooperação entre a África do Sul e Portugal”, acrescentou.

O ex-banqueiro João Rendeiro foi preso no sábado, num hotel em Durban, na província sul-africana do KwaZulu-Natal, numa operação que resultou da cooperação entre as polícias portuguesa, angolana e sul-africana.

João Rendeiro estava fugido à justiça há três meses e as autoridades portuguesas reclamam agora a sua extradição para cumprir pena em Portugal.

O ex-presidente do extinto Banco Privado Português (BPP) foi condenado em três processos distintos relacionados com o colapso do banco, tendo o tribunal dado como provado que João Rendeiro retirou do banco 13,61 milhões de euros.

O colapso do BPP, em 2010, lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado.

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