Seis mil reclamam 1.600 milhões: os números dos lesados do BPP

Rendeiro fugiu para a África do Sul para evitar cumprir pena, mas deixou para trás 6.000 lesados do BPP, que ainda hoje reclamam 1.600 milhões ao banco falido. Problema: só há 700 milhões em ativos.

Cerca de 6.000 credores do BPP têm a receber quase 1.600 milhões de euros no âmbito do processo de liquidação do banco fundado por João Rendeiro, que foi detido este sábado na África do Sul, após ter fugido de Portugal em setembro para evitar cumprir pena de prisão.

O fim do BPP foi decidido em 2010 e ainda hoje há milhares de lesados que procuram ser ressarcidos pela comissão liquidatária, através dos ativos que ainda restam.

De acordo com as últimas contas, dos 1.600 milhões de euros de créditos que já foram reconhecidos, 450 milhões são créditos garantidos (do Estado), 950 milhões de euros de créditos comuns e 200 milhões de euros de créditos subordinados.

O problema: os ativos líquidos do banco valiam apenas 700 milhões de euros, o que é insuficiente para responder a todos os lesados. Assim, contas feitas, o banco que se encontra em fase de liquidação apresenta uma situação líquida negativa de 900 milhões de euros. É esta a parte em relação à qual não há património para cobrir as responsabilidades.

“Isto resulta na impossibilidade de satisfação integral de todos os créditos comuns reconhecidos”, admitiu a comissão liquidatária do BPP, tendo avisado que só pode pagar aos credores comuns quando pagar na totalidade as dívidas ao Estado.

Segundo a comissão responsável pela liquidação do banco, já foram pagos 200 milhões a credores comuns através do Fundo de Garantia de Depósitos e do Sistema de Indemnização aos Investidores.

O Estado também já recebeu uma parte. Dos 450 milhões, a comissão já pagou 305 milhões diretamente e outros 100 milhões resultantes da afetação de outros ativos do BPP e de terceiros. Fundo de Garantia de Depósitos e do Sistema de Indemnização aos Investidores também já receberam.

A Associação Privado Clientes adiantou que 10% dos 3.000 clientes do “retorno absoluto” – um produto em que o banco garantia capital e remuneração, como se fosse um depósito — ainda não receberam todo o valor investido, e aguardam o pagamento da parte da massa falida. Além destes, depositantes acima dos 100 mil euros e clientes que investiram em fundos de investimento e hedge funds também tinham dinheiro a haver.

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