Galp e Northvolt vão importar lítio do Canadá, Brasil e Austrália para refinar em Portugal

O responsáveis da Galp e da Northvolt confirmaram que a Savannah não será o único fornecedor da refinaria. "Talvez tenhamos de importar. Temos de olhar para outras soluções além do lítio português".

Que a portuguesa Galp e a sueca Northvolt querem construir uma refinaria de lítio em Portugal e, para isso, criaram a joint venture Aurora, isso já é dado certo. No entanto, duas grandes questões continuam por responder: de onde virá o lítio para refinar e onde ficará afinal localizada a fábrica?

Quanto à origem do metal raro, tudo indicava até agora que a sua proveniência fosse da mina do Barroso, em Boticas, onde a britânica Savannah está a desenvolver o seu projeto mineiro, que compreende uma mina e uma lavaria. Mas ao que parece, não será bem assim. Será sobretudo importado e de países onde já há clusters de lítio, como Canadá, Brasil e Austrália.

“É prematuro dizer quanto do lítio que virá para a refinaria será português ou não. Temos uma palete de escolhas, de diferentes fontes e vamos optar consoante uma série de fatores”, disse Paolo Cerruti, co-fundador e COO da Northvolt aos jornalistas após a apresentação da joint venture Aurora.

“A Galp tem um memorando de entendimento com a Savannah, que expirou, mas continuamos em conversações, mas certamente este não será o nosso único fornecedor de lítio e além disso a mina do Barroso não é grande o suficiente para abastecer esta fábrica. Teremos de ter outros fornecedores”, frisou.

E acrescentou ainda: “E do ponto de vista do negócio mas não podemos pôr todos os ovos no mesmo cesto, há que diversificar as nossas fontes de lítio”.

Questionado sobre quando é que a Savannah (a grande ausente na sala) vai começar a extrair o primeiro lítio do solo português, Andy Brown, CEO da Galp, respondeu:Não tenho ideia. Talvez tenhamos de importar. Temos de olhar para outras soluções além do lítio português. Continuamos a trabalhar com a Savannah, o projeto deles está a avançar, com um calendário diferente, estão a espera das aprovações. Vamos olhar para outras fontes de espodumena para começar a operar em 2026″.

Sobre o financiamento do projeto — cerca 700 milhões de euros — diz Andy Brown que será dividido 50/50 mas a decisão final só deverá ser tomada em meados de 2023, quando todas as peças do puzzle estiverem no lugar: fornecedores de lítio, refinaria e compradores.

“Também vamos recorrer a project finance, para conseguir os contratos com os fornecedores dos materiais e o offtake também é uma parte importante. Este projeto terá de competir com outros que se localizam na China, terá de ser competitivo, e por isso nos candidatámos ao Plano de Recuperação e Resiliência. O PRR representa cerca de 15% do investimento no projeto. Acreditamos que o incentivo do PRR para apoiar este negócio para o lançar, para criar o apoio para a cadeia de valor das baterias de lítio será importante. Para que possamos competir com produtores low cost de outra parte do mundo, como a China”, disse Andy Brown. E nessa candidatura a Savannah integra o consórcio sendo chamada a investir 123,72 milhões de euros.

Na estimativa a longo prazo que as duas empresas fizeram a partir da refinaria de lítio em Portugal “pode crescer até um investimento de dez mil milhões de euros e 90 mil empregos num novo valley de produção de baterias de lítio na Europa”.

A outra grande questão em aberto é a da localização da refinaria. A Galp já indicou Sines na candidatura ao PRR e é o que faz mais sentido se o lítio chegar a Portugal do outro lado do Atlântico, via cargueiro. No entanto, ambas as empresas garantem que o local não está fechado.

“É verdade que os cargueiros andam a fuel e poluem, mas ainda é a forma mais eficiente de transportar carga no mundo. O que queremos é que aqui, a nível local a refinaria seja o mais sustentável, que use energia renovável, ao contrário de outras que ainda usam carvão. Produzir baterias de lítio consome muita energia, tem de ser limpa é de ser limpa”, explicou Cerruti.

Sobre a localização, diz que está sob avaliação: “Temos muitas localizações que estamos a ver, sobretudo no norte. No projeto que entregamos no PRR tivemos de pôr uma localização específica, porque era obrigatório. Colocámos Sines porque era um local sério e credível. Agora estamos numa fase de engenharia, depois segue-se a avaliação do local e a fase de impacto ambiental. Quanto tivermos tudo reunido, o que deve demorar 18 a 20 meses, aí teremos a decisão final. Mas será em Portugal.

Fundada há cinco anos para competir com a americana Tesla, a Northvolt já recebeu financiamento de mais de seis mil milhões de dólares e está neste momento a construir três fábricas de baterias de lítio na Europa.

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