Galp escolhe Sines para construir refinaria de lítio em Portugal

Na proposta que entregou às agendas mobilizadoras da Economia, para fundos do PRR, a Galp identificou "os locais de implementação da mina e refinaria, respetivamente, em Boticas e Sines".

Menos de um mês depois do CEO da Galp, Andy Brown, ter garantido ao ECO/Capital Verde à margem da Web Summit, que a localização de uma futura refinaria de lítio em Portugal “está ainda por ser decidido”, o Ministério da Economia vem agora desvendar o mistério.

O complexo de Sines é afinal o local escolhido pela petrolífera portuguesa Galp e pela mineira britânica Savannah Resources para “implementar uma refinaria sustentável de processamento de lítio em Portugal, que produza entre 25 a 35 mil toneladas por ano de lítio refinado de elevada qualidade (battery grade), suficiente para a produção de mais de 1 milhão de veículos elétricos por ano na UE”.

Para isso, garantem manter a “coesão territorial nos locais de implementação da mina e refinaria, respetivamente Boticas e Sines”, de acordo com a síntese do projeto divulgada aos jornalistas pelo Ministério da Economia, e que foi entregue pela mão das próprias empresas às Agendas Mobilizadoras para a Reindustrialização e Agendas Verdes para a Inovação Empresarial.

Contactada pelo ECO/Capital Verde, fonte oficial da Galp confirmou que avançou de facto com a localização de Sines na candidatura aos fundos do PRR, mas continua a dizer que o local de construção da refinaria de lítio não está ainda 100% fechado. A refinaria de Matosinhos, mais a norte, chegou a ser falada como uma opção, após o seu fecho, mas essa hipótese foi sempre negada pela Galp.

O projeto da Galp, tal como foi como apresentado, já está pré-selecionado e entre os 64 finalistas, sendo um dos 12 escolhidas também para as Agendas Verdes) e propõe-se a investir 980,5 milhões de euros para estabelecer uma operação mineira sustentável em Portugal, que produza entre 170 a 200 mil toneladas por ano de espodumena.

Mas também implementar uma refinaria sustentável de processamento de lítio. O único entrave à sustentabilidade neste plano, é que o lítio terá de viajar quase 600 km desde a mina do Barrroso da Savannah, em Boticas (onde é extraído e concentrado), até Sines, onde será então refinado, aumentando a pegada carbónica de toda a operação.Nos planos que envolvem a Savannah está previsto também potenciar a assemblagem e reciclagem de baterias de lítio em Portugal.

“A Agenda Cadeia de Valor das Baterias de Lítio em Portugal encontra-se estruturada em sete Work Packages: 1. Mineração, 2. Refinação, 3. Baterias, 4. Economia Circular, 5. Qualificação e Competências, 6. Promoção e Divulgação e 7. Gestão da Agenda”, pode ler-se na síntese de projeto do Ministério da Economia.

A empresa liderada por Andy Brown também está pré-selecionada para apoio do PRR num investimento de 722 milhões de euros para implementar no complexo industrial de Sines a produção de hidrogénio verde através da instalação de um eletrolisador de 100 MW que irá gerar 10 mil toneladas de hidrogénio renovável, anualmente, estando o offtake garantido pelos demais projetos, numa lógica de complementaridade.

Mas também se propõe produzir etanol sintético, bioetanol avançado e Alcohol-to-Jet. Além disso, está previsto criar uma unidade inovadora de hidrodesoxigenação de resíduos reutilizando o equipamento proveniente da refinaria de Matosinhos desativada, o que permitirá reduzir o investimento do projeto e reduzir a necessidade de materiais novos.

Os projetos dos 64 consórcios pré-selecionados vão ser apresentados publicamente esta quinta e sexta-feira, em Leixões, num evento que conta com a presença do primeiro-ministro e do ministro da Economia. A vez da Galp será na sexta-feira, no lote destinado à Energia – Hidrogénio e Lítio.

Vai haver certamente uma refinaria de lítio em Portugal. Ainda não existe nenhuma na Europa mas sabemos — não me cabe a mim divulgá-lo — mas sim foi-me apresentado um projeto por empresas (sim, o Governo reúne com empresas, para espanto de muitos) e sabemos que concorreu às agendas mobilizadora para a indústria um projeto para a construção de uma refinaria de lítio em Portugal

Matos Fernandes

O ECO/Capital Verde tinha já avançado em outubro que iria finalmente ser construída uma refinaria de lítio em Portugal, com o Governo a ter conhecimento do projeto e o mesmo a ser submetido às Agendas/Alianças Mobilizadoras para a Reindustrialização e Verdes para a Inovação Empresarial que foram abertas no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência, disse em entrevista o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes.

“Vai haver certamente uma refinaria de lítio em Portugal. Ainda não existe nenhuma na Europa mas sabemos — não me cabe a mim divulgá-lo — mas sim foi-me apresentado um projeto por empresas (sim, o Governo reúne com empresas, para espanto de muitos) e sabemos que concorreu às agendas mobilizadora para a indústria um projeto para a construção de uma refinaria de lítio em Portugal”, disso o ministro em entrevista ao ECO/Capital Verde.

O ministro anunciou ainda que o concurso para a prospeção de lítio em áreas já selecionadas e submetidas a avaliação ambiental vai ser lançado “no início do próximo ano”.

“Vamos ter certamente exploração de lítio e feita de forma justa”. Não será é tão cedo quanto desejado, anuncia. “Nós queremos muito lançar o concurso para a prospeção, mas já não vai ser este ano, porque a consulta pública acaba a 10 de dezembro. Vai ser no início do próximo ano”.

“Neste momento está em curso a discussão pública. Foi prolongada até 10 de dezembro. Existe da parte dos autarcas vontade de discutir com rigor este deste projeto da AAE? Não, não existe. Porque quem pediu o prolongamento, agora está a fazer manifestações. Não consigo entender como é que se quer mais tempo para a discussão pública, se diz que é preciso transparência, mas depois vão engrossar a voz das manifestações”, critica Matos Fernandes.

Mais cedo, espera o ministro, arrancará no terreno a extração e produção de lítio na mina de Boticas, da Savannah. “Temos também uma forte expectativa do que será a decisão da Avaliação de Impacto Ambiental da mina do Barroso, em Boticas. Por isso acreditamos que essa sim é aquela que está mais perto (se tiver uma DIA positiva e espero que venha a acontecer) de avançar o quanto antes. E aí já estamos a falar de produção e não só prospeção”, rematou o ministro.

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