Em dois anos, pandemia custou 346 milhões à Câmara de Lisboa

Em 2020 e 2021, a autarquia lisboeta enfrentou 162,7 milhões de euros em despesa e uma perda de 183 milhões de euros em receitas devido à Covid.

Em 2020 e 2021, a pandemia teve um impacto de 345,7 milhões de euros nas contas da Câmara de Lisboa (CML), revelou esta quarta-feira o vice-presidente, durante a apresentação do Orçamento para 2022. Este valor equivale a 162,7 milhões de euros em despesa e a uma perda de 183 milhões de euros em receitas. Filipe Anacoreta Correia disse ainda que, “nos últimos quatro anos, a trajetória das contas é deficitária”.

“O impacto da Covid no lado da receita e da despesa foi muito significativo”, disse o braço-direito de Carlos Moedas, referindo que, no início de 2020, a autarquia tinha uma reserva de contingência “superior a 300 milhões de euros”, que “foi praticamente consumida nestes dois anos”. Esta reserva continuará a estar refletida no Orçamento de 2022, “embora numa expressão muito menor” — cerca de cinco milhões de euros.

“Terá de ser uma preocupação no futuro, no sentido de procurar reforçar esta reserva [de contingência]”, continuou o vice-presidente, ressalvando, contudo, que os 300 milhões de euros existentes no início de 2020 se deviam, sobretudo, à venda dos antigos terrenos da Feira Popular à Fidelidade.

Filipe Anacoreta Correia notou ainda que, “nos últimos quatro anos, a trajetória das contas [da CML] é deficitária”, referindo que o “saldo corrente é negativo”. “Apenas em 2019 é que a receita foi superior à despesa”, devido à venda dos terrenos da antiga Feira Popular. “Se não fosse isso, os quatro anos [do mandato de Fernando Medina] seriam negativos”.

Para 2022, no Orçamento preparado pela equipa de Carlos Moedas, estão previstos 1.028 milhões de euros em receitas, a maioria vindo de impostos sobre o património, e 1.160 milhões de euros de despesa, sobretudo com o pessoal.

Entre as principais medidas destacam-se o desconto de 50% no estacionamento para residentes em toda a cidade, a gratuitidade de transportes públicos para menores de 23 anos e maiores de 65 anos e um seguro de saúde gratuito para os mais carenciados acima dos 65 anos. A autarquia prevê ainda 13 milhões de euros para dar em apoios a fundo perdido às empresas, 116,2 milhões de euros para a habitação e 102,7 milhões para a mobilidade.

O vice-presidente afirmou ser “natural que este Orçamento não reflita a totalidade das mudanças” que a cidade precisa, mas que se trata de um “primeiro passo a que se seguirão outros no decorrer do ano”. “É nossa intenção que a CML continue a responder às exigências do presente, mobilizando os meios necessários”, rematou.

(Notícia atualizada às 16h51 com mais informação)

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