Portugal contrata bancos para emissão de dívida a 20 anos

O IGCP tem em curso uma emissão de dívida a 20 anos que conta com o apoio de um sindicato de bancos. Operação poderá ficar fechada esta quarta-feira.

Portugal contratou bancos para avançar com uma emissão de dívida sindicada a 20 anos. A nova linha de obrigações do Tesouro terá a maturidade em abril de 2042. A operação será lançada em breve, sujeita às condições do mercado, segundo avançou um dos bancos esta terça-feira, citado pela agência financeira Dow Jones.

BNP Paribas, Credit Agricole CIB, Morgan Stanley, JPMorgan, Nomura e Novobanco são as instituições que estão a organizar a operação, de acordo com a mesma fonte.

A nova linha de obrigações irá permitir fechar o gap na curva mais longa da dívida pública portuguesa, colocando uma referência entre as linhas que vencem em abril de 2037 e fevereiro de 2045.

É já uma tradição o IGCP arrancar um ano com uma emissão de dívida sindicada. Esta operação em causa deverá ser concretizada ao longo da manhã desta quarta-feira.

De acordo com o programa de financiamento da República para 2022, as necessidades líquidas para este ano situam-se nos 10,9 mil milhões de euros, 8,7 mil milhões dos quais para cobrir o défice orçamental e outros 2,2 mil milhões para a aquisição líquida de ativos financeiros. O IGCP prevê emitir quase 18 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro e medium term notes.

Esta emissão surge num momento de alguma tensão nos mercados secundários. As yields da dívida da Zona Euro têm estado a subir desde a última reunião do Banco Central Europeu (BCE), a 16 de dezembro, onde se decidiu o fim do programa de compras de emergência pandémica. A semana passada trouxe mais alguma turbulência por causa dos planos da Reserva Federal americana (Fed) de subir os juros mais cedo do que o esperado para controlar a alta inflação, o que colocou o BCE de novo na mira dos investidores.

A taxa das obrigações portuguesas a dez anos está em máximos de mais de meio ano, perto dos 0,6%. A yield das bunds alemãs no mesmo prazo estão perto de inverter para terreno positivo, o que não acontecia há dois anos e meio, traduzindo as expectativas do mercado em relação à inflação e àquilo que espera em relação à política monetária do BCE.

Esta terça-feira, na tomada de posse do novo governador do Bundesbank, Christine Lagarde disse que leva “muito a sério” a evolução dos preços na Zona Euro. “Compreendemos que a subida dos preços é uma preocupação para muitas pessoas e levamos essa preocupação muito a sério”, disse a presidente do BCE, que tem repetido que a alta inflação está suportada em “fatores temporários” e que deverá aliviar nos próximos anos.

(Notícia atualizada às 14h08)

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