Rio diz que Governo “não pode pedir responsabilidades” ao PCP pelo chumbo do OE

Apesar do "mar de divergências" que separa PSD e PCP, ambos concordam que o chumbo do Orçamento do Estado para 2022 é "integralmente" culpa do Governo.

PSD e PCP sentaram-se esta quarta-feira frente a frente, num debate onde Rui Rio sublinhou mais do que uma vez “o mar de divergências” que separa os dois partidos. Contudo, há uma coisa que os une: a culpa do chumbo do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022). João Oliveira disse que o PS “fez de tudo” para o OE ser chumbado, enquanto Rui Rio afirmou que o PS “sabia a lógica do PCP” quando se “colocou nas mãos” dele.

O líder social-democrata começou o debate sublinhando o “mar de divergências em termos ideológicos” que separa o PSD do PCP. Isto porque, explicou, “tudo aquilo que o PSD defende, o PCP defende o contrário”. Antes, numa nota ao líder comunista que será operado esta quinta-feira, Rui Rio disse “não confundir divergências ideológicas com uma pessoa que tem sido extremamente coerente” e afirmou: “Quem me dera que houvesse gente tão coerente no meu partido”.

João Oliveira defendeu-se, afirmando que “o PSD não pode ser uma alternativa ao PS porque não deixou resolver os problemas que o PS também não deixou”. E, aqui, notou a necessidade de um “aumento geral dos salários”, que classificou como uma “emergência nacional”.

Apesar disso, há um ponto de convergência: o chumbo do OE2022. “O PS estava convencido que teria maioria absoluta se fossemos a eleições e fez tudo para termos o OE chumbado. O Governo não queria, verdadeiramente, ter um OE e, recusando o que fomos propondo, sabia que o desfecho seria esse“, disse João Oliveira esta quarta-feira, no debate eleitoral com Rui Rio, no âmbito das legislativas de 30 de janeiro.

O líder social-democrata concordou. “Subscrevo o que o PCP diz. O Governo quando se meteu com o PCP sabia a sua lógica, que é um partido coerente. Colocou-se nas mãos do PCP e agora não pode pedir responsabilidades” pelo chumbo do OE2022, afirmou Rui Rio.

“Projeto do PCP levaria à ruína económica”

Numa análise ao programa eleitoral de cada partido, João Oliveira questionou se as propostas do PSD são mesmo para levar a sério. “Propostas negativas, duvidosas e que não são para levar a sério. Porque o PSD acabou de fazer há pouco tempo o contrário do que escreve agora”, disse, criticando, sobretudo, a proposta social-democrata de baixar o IRC de 21% para 17%.

Rui Rio respondeu, afirmando que, para ter melhores empregos e salários, é preciso “dirigir as políticas para quem paga os salários, que são as empresas”. Por isso, continuou: “temos de apoiar a produção porque isso vai permitir melhorar a procura e o consumo”. E atirou: “Os nossos projetos são completamente diferentes. O projeto do PCP levaria à ruína económica“.

As pensões foram outra tema em cima da mesa, com o PCP a defender um aumento em todas as pensões, não apenas nas mais baixas, enquanto Rui Rio considera que esse tipo de coisas deve ser dada apenas quando a economia assim o permite. “Uma coisa é garantir pensões, outra coisa é podermos dar aumentos extraordinários”, disse o social-democrata.

(Notícia atualizada às 22h21 com mais informação)

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