MyCareforce, a plataforma que faz o “match” entre enfermeiros e turnos

O objetivo da plataforma criada por dois portugueses é conectar profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros e técnicos auxiliares, a turnos disponíveis em instituições de saúde.

De um lado estão os enfermeiros e técnicos auxiliares de saúde, do outro lado os turnos disponíveis. A MyCareforce junta ambos numa plataforma gratuita que tem como objetivo conectar profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros e técnicos auxiliares, a turnos disponíveis em instituições de saúde. Para já, a plataforma conta com mais de 6.600 profissionais registados e 35 instituições. E há planos de crescimento: depois de ter levantado 100.000 euros e com o vislumbre de uma nova ronda de investimento, que poderá estar para breve, a MyCareforce pretende reforçar a equipa já durante o primeiro trimestre.

“Os profissionais consultam os turnos disponíveis na plataforma e, no caso de terem interesse, candidatam-se. A instituição analisa os vários perfis e, se considerar adequados, convida-os a realizar o turno. Ao aceitarem passam a estar adjudicados ao mesmo”, começa por explicar à Pessoas Pedro Cruz Morais, CEO e cofundador da MyCareforce.

O objetivo é, adianta o gestor, tornar o sistema cada vez mais automático. Futuramente, os enfermeiros com melhor rating e mais experiência poderão marcar turnos sem terem de passar pelo processo de validação junto das instituições.

“Convém referir que, previamente, ao inscrever-se na plataforma, existe um processo de validação onde é pedido ao profissional para preencher um perfil com informações pessoais e profissionais, que, como já referi, podem ser consultadas pela instituição no momento da decisão”, salienta.

A plataforma conta com mais de 6.600 profissionais registados, de norte a sul do país, e ilhas incluídas. Ainda que o perfil varie, a grande maioria são profissionais com emprego a tempo inteiro que, não se querendo comprometer com muitas horas noutras instituições, procuram um regime que lhes ofereça maior flexibilidade e autonomia ao nível da gestão do tempo.

“Temos também enfermeiros a part time ou mesmo recém-licenciados que acabaram o curso e procuram ganhar alguma experiência extra”, acrescenta Pedro Cruz Morais.

Já no que toca às instituições de saúde registadas na plataforma, a MyCareforce conta atualmente com 35, desde residências, unidades de cuidados continuados a hospitais e também laboratórios de testagens.

O “momento-chave” para pôr a plataforma no mercado

“No final de 2020, eu e João [João Hugo Silva, COO e cofundador] — que não nos conhecíamos na altura — fomos selecionados para entrar numa incubadora de startups onde, posteriormente, fomos desafiados a desenvolver uma ideia. Durante o processo de ideação, em plena pandemia, o João lembrou-se que tinha conhecidos que, durante o fim de semana, se deslocavam até à zona do Algarve para preencher turnos. Decidimos que podia ser um caminho e começámos a explorar. Liguei a uma pessoa que conhecia, responsável de uma residência que me validou a necessidade de contratar de forma flexível, e o João começou a investigar qual era o processo para encontrar estes turnos”, conta.

À esquerda João Hugo Silva, COO e cofundador da MyCareforce, e à direita Pedro Cruz Morais, CEO e cofundador da MyCareforce.

Rapidamente os jovens empreendedores perceberam que podiam simplificar algo que era “muito manual” e “pouco flexível”. E o facto de a ideia ter surgido em plena pandemia acabou por revelar-se um “momento chave” para a sua concretização, considera o CEO da empresa.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, especialmente no segundo semestre do ano passado, 2.413 enfermeiros pediram para sair de Portugal, segundo dados divulgados pela Ordem dos Enfermeiros (OE). À intenção de emigrar juntam-se as necessidades extraordinárias das instituições de saúde, fruto da Covid-19, o que aumenta a urgência de preencher os turnos, muitas vezes assegurados por enfermeiros que fazem bem mais do que um turno de trabalho, e que já levou a denunciarem mesmo situações de “exaustão e desmotivação” e de “não pagamento de trabalho extraordinário”.

“Estes números demonstram a continuação da tendência da emigração de enfermeiros, apesar da carência crónica de enfermeiros em Portugal. Nos últimos dois anos, chegámos ao ponto de querer contratar enfermeiros, nos momentos mais críticos da pandemia, e não haver enfermeiros no mercado, apesar de todos os anos saírem 3.000 novos enfermeiros das escolas”, afirma a OE, comentando estes números, citada em comunicado.

Cientes da urgência e pressão sentida no setor da saúde, Pedro Cruz Morais e João Hugo Silva começaram a idealizar a MyCareforce logo em janeiro de 2021 e, apenas um mês e meio depois, obtiveram o primeiro financiamento. Levantaram uma ronda pre-seed no valor de 100.000 euros.

Esta não é uma solução apenas para uma situação pandémica, é a nossa visão para futuro do trabalho na área da saúde.

Pedro Cruz Morais

CEO e cofundador da MyCareforce

O CEO da MyCareforce acredita que a utilidade da plataforma vai muito para além do período pandémico. “Sabíamos ainda que estávamos num momento chave para implementar esta solução, no entanto, esta não é uma solução apenas para uma situação pandémica, é a nossa visão para futuro do trabalho na área da saúde, uma vez que a necessidade de flexibilidade e resposta rápida já existia e continuará a existir”.

Sem avançar datas, Pedro Cruz Morais diz que a nova ronda de investimento chegará a seu tempo. “Pode ser que tenhamos novidades em breve”, comenta sem mais detalhes.

Em relação a planos de crescimento da equipa, que começou com apenas dois cofundadores e já conta com nove elementos, o CEO afirma que, ainda durante o mês de janeiro, vão abrir, pelo menos, mais duas vagas, um full stack developer e um UX/UI designer. E durante o primeiro trimestre, o objetivo é reforçar também a equipa de operações e marketing.

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