Cimpor não descarta voltar a aumentar preços

Cimenteira admite que "poderá haver necessidade" de voltar a subir os preços ainda este ano face à escalada de preços provocada pela guerra na Ucrânia, mas sublinha que a incerteza ainda "é grande".

A escalada de preços dos materiais usados na construção já levou a Cimpor a aumentar os preços “sob pena de comprometer a sustentabilidade e competitividade da empresa”. Além disso, face à atual conjuntura, a cimenteira portuguesa admite que “poderá haver necessidade” de voltar a subir os preços ainda este ano.

Além do agravamento das dificuldades já sentidas com a pandemia, como a subida dos preços das matérias-primas e dos transportes marítimos, o setor da construção enfrenta agora um novo desafio: a subida dos preços combustíveis e da eletricidade, na sequência da invasão russa à Ucrânia. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço dos materiais — nomeadamente aços, produtos cerâmicos, gasóleo e madeiras e derivados – dispararam mais de 9% em janeiro (ainda antes da guerra), ao passo que os custos da construção subiram mais de 7%.

Ao ECO, Luís Fernandes, CEO da Cimpor Portugal e Cabo Verde, assinala que a cimenteira portuguesa teve que efetuar “muito recentemente” um aumento dos preços, dado que “deixou de ser possível suportar todos estes aumentos de custos sob pena de comprometer a sustentabilidade e competitividade da empresa”.

O líder da cimenteira portuguesa sublinha ainda, que, apesar de todas as matérias-primas utilizadas pela Cimpor serem nacionais, esta é uma indústria “fortemente dependente de energia térmica (combustíveis) e elétrica”, pelo que a subida dos preços dos combustíveis e energia tem impacto no negócio. “O que importamos e que tem impacto no nosso custo é o combustível que usamos nos fornos, o petcoque, cuja origem não é russa, nem ucraniana”, adianta.

Neste contexto, e apesar de sublinhar que a incerteza relativamente ao desfecho da guerra na Ucrânia “é grande”, o CEO da Cimpor admite que possam existir nova revisão de preços. “Tendo em conta a guerra da Ucrânia, que tem conduzido a um forte aumento dos combustíveis e da eletricidade, valores nunca antes vistos, e perante a incerteza que existe sobre o seu fim, poderá haver necessidade, ou não, de efetuar novo aumento de preços no decorrer deste ano”, sublinha Luís Fernandes, ao ECO.

A invasão da Rússia à Ucrânia veio acelerar a escala de preços da energia e transporte, que já se vinha a assistir desde o início do ano, bem como de algumas matérias-primas, tendo obrigado várias empresas a aumentar os preços dos produtos que comercializam. As consequências já são sentidas em Portugal e levaram o Governo a avançar com um conjunto de novas medidas para mitigar o impacto da guerra, que incluem o lançamento de uma linha de crédito de 400 milhões de euros para ajudar as empresas, apoios a fundo perdido e uma prestação social para os consumidores mais vulneráveis.

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