Governo vai rever inflação em alta para 4% em 2022, segundo a Iniciativa Liberal

À saída de uma reunião com o Governo, o líder da Iniciativa Liberal (IL) revelou que a nova proposta para o Orçamento de 2022 deve rever em alta a taxa de inflação para 4%.

O líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, revelou esta segunda-feira que, na nova proposta do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), o Governo vai rever em alta para 4% a previsão para a taxa de inflação de 2022: “A variação de inflação que vai estar na base deste Orçamento é de 4,0%”, disse. Anteriormente, no Programa de Estabilidade 2022-2026 entregue no final de março, o Executivo apontava para 3,3%, pelo que há uma revisão de sete décimas num curto período de tempo.

Em cerca de duas semanas, o Ministério das Finanças, que passou das mãos de João Leão para as de Fernando Medina, terá mudado o valor esperado para a taxa de inflação, aproximando-se das previsões do Conselho das Finanças Públicas (3,9%) e do Banco de Portugal (4%). Estes valores referem-se ao Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), o indicador utilizado a nível europeu. Em Portugal, dá-se mais destaque ao IPC (Índice de Preços no Consumidor), tendo o Governo anteriormente uma previsão de 2,9% para este indicador.

Quando questionado sobre a diferença face à previsão do Banco de Portugal, o então gabinete de João Leão explicava que “por trás da estimativa de 2,9% está uma inflação superior a 4% no primeiro semestre, em linha com o observado até fevereiro, e uma desaceleração para valores inferiores a 2% no final do ano (devido ao efeito base relacionado com a inflação já muito elevada no final de 2021)”. Além disso, “esta estimativa considera também o efeito das medidas de política que atenuam o efeito dos preços (em particular na área da energia e dos transportes) e que explicam que Portugal já tenha das taxas de inflação mais baixas da União Europeia e que vá continuar a ter”.

A proposta do Orçamento do Estado para 2022, onde constará o cenário macroeconómico esperado pelo novo Governo, será entregue esta quarta-feira na Assembleia da República.

À saída de uma reunião com o Governo, João Cotrim Figueiredo disse que questionou o Governo se haveria espaço para aliviar a carga fiscal dado o reforço da receita pública por causa da inflação, mas o Executivo terá dito que as medidas fiscais são as mesmas que constavam do Orçamento original. “Se não houver alterações fiscais em linha com a inflação, como a atualização dos escalões de IRS à taxa de inflação, isso sim representa um aumento de impostos“, disse.

O líder da Iniciativa Liberal acusou esta equipa do Ministério das Finanças de estar numa “desorientação” em relação às medidas a adotar para esta situação económica. O deputado liberal disse que não houve resposta sobre qual será a previsão para o crescimento económico e revelou ter uma “expectativa não positiva” sobre o que será apresentado na quarta-feira. “Há opções que não estão claras“, assinalou.

Outra das críticas dos liberais é a manutenção no OE2022 de medidas exigidos pelos antigos parceiros da geringonça: “Agora que o PS tem maioria absoluta, seria de esperar que as exigências mais rocambolescas do BE e PCP fossem deixadas cair. Não parece ser essa a opção deste Governo“, disse Cotrim. O Governo terá confirmado que a meta do défice orçamental mantém-se nos 1,9% do PIB em 2022, mas a IL queixa-se da falta de pormenores para saber onde haverá cortes na despesa ou aumentos de receita.

(Notícia atualizada às 11h50 com mais informação)

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