BRANDS' ADVOCATUS CCA: uma história septuagenária

  • BRANDS' ADVOCATUS
  • 22 Abril 2022

Carlos Cruz, sócio fundador da CCA, conta a história de como tudo começou para a CCA, há setenta e quatro anos.

O Dr. Fernando Cruz era, como soe dizer-se, um advogado à antiga. Abriu escritório em Lisboa, em 1949, vindo do Porto e conhecendo pouca gente. Literalmente, contava apenas consigo. Exercia a sua profissão em prática individual, como era uso à época; rigoroso, conhecedor, preocupado, inexcedível no trato com magistrados e colegas, exigente até ao limite em tudo quanto assinava, visto e revisto antes de ser enviado. Lia e anotava os já esquecidos Boletins do Ministério da Justiça e Coletânea de Jurisprudência, identificando os arestos com precisão quase cirúrgica, quando estagiários aflitos, como era o meu caso, lhe iam pedir ajuda. Escrevia luminosamente.

Desbravou os trilhos da arbitragem internacional, tendo sido árbitro representante de Portugal na Cour d´Arbitrage da CCI, durante muitos anos. Uma das suas últimas e não dissimuladas alegrias foi ainda ter sido patrono da sua neta e continuadora Rita Cruz. Trabalhou até morrer, em 1996, como era seu desejo e porque dizia sempre que um advogado nunca se reforma.

Carlos Cruz, Sócio Fundador da CCA.

O grande desafio foi então, preservar os valores de excelência que tinham marcado o seu múnus e, ao mesmo tempo, enquadrar o exercício da profissão num contexto mais moderno, capaz de responder eficazmente às expectativas dos clientes. Nasceu assim, em 1997, a sociedade Carlos Cruz & Associados, uma aventura protagonizada por meia dúzia de advogados, inspirados nos idos de 49, quando o capital maior era o empenho e a capacidade de cada um.

Paralelamente, ficou óbvio que, para congregar advogados ao projeto e facultar-lhes perspetivas de carreira, era indispensável atenuar o cariz familiar em função do reconhecimento meritocrático e retenção de talentos. Daí o aparecimento da marca CCA, que procura traduzir a valia de toda uma equipa multidisciplinar.

CCA procura ser um passado de setenta e quatro anos que abraça os desafios da modernidade, da era digital, dos novos ramos do direito, da internacionalização, da inteligência artificial, procurando responder com a mesma chancela de qualidade e dedicação.

O atual managing partner é o Dr. Domingos Cruz, outro neto do fundador, o que significa que por mais duas gerações os valores subjacentes ao sonho inicial foram sendo transmitidos, como inspiração aos colegas que se juntaram.

CCA procura ser um passado de setenta e quatro anos que abraça os desafios da modernidade, da era digital, dos novos ramos do direito, da internacionalização, da inteligência artificial, procurando responder com a mesma chancela de qualidade e dedicação.

Neste desiderato se situa a recente mudança de instalações em Lisboa, abandonando as memórias da Baixa, para se localizar em estruturas montadas “à façon”, situadas na Doca do Espanhol, que permitem uma organização de trabalho mais racional, melhor funcionalidade, melhor serviço aos clientes, melhores acessos e… melhor vista.

Nascida no tempo do papel selado, antes da televisão a preto e branco, esta prática atravessou a máquina de fotocópias, o telex, o fax, o analógico, aterrou no digital e no mais que a tecnologia das comunicações nos reservar. Variou no seu enquadramento jurídico, mas procurou manter o que é imutável no exercício da profissão de advogado: competência, probidade e compreensão do cliente.

Ter conservado um fio condutor num mercado em que raramente a longevidade é tema, constitui, sem dúvida, um traço identitário e um motivo de orgulho, mas, como se sabe, o direito não vive de “ex-libris”.

Conheci, ao longo de mais de quarenta anos de profissão, grandes advogados, cujos “skills”, como agora se diz, morreram no dia em que fecharam os seus escritórios. Em CCA, quem vem, acrescenta valor, deixando um legado para quem fica.

Penso que é esta a essência da prática societária, que por ser o produto da soma de muitos, contribui validamente para o aperfeiçoamento do direito. Sem nostalgias, reconheço que cada vez se advoga melhor em Portugal e isso deve-se sem dúvida à melhoria do ensino e da formação, ao mérito dos colegas, mas também ao apport holístico das sociedades de advogados, mesmo injustiçadas pela legislação fiscal.

Já não estarei quando a CCA perfizer o centenário, mas tenho a certeza que possui todas as condições para atingir essa meta, com a mesma juventude de agora.

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