Dívida pública desce pelo quarto trimestre para 127% do PIB em março

Pandemia atirou dívida pública portuguesa para 138,9% do PIB há um ano. Desde então tem caído sucessivamente, trimestre após trimestre, tendo fechado nos 127% no final de março.

Depois do pico atingido no primeiro trimestre do ano passado nos 138,9% do PIB, por causa do impacto da pandemia, a dívida pública está a cair há quatro trimestres de forma consecutiva, tendo fechado nos 127% do PIB no final de março. Isto correspondia a um montante absoluto de 276 mil milhões de euros, o segundo maior valor de sempre, de acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal.

Os dados mostram uma redução de 0,4 pontos percentuais relativamente ao final do ano passado, com esta evolução descendente a ser suportada sobretudo pelo bom andamento da economia no arranque de 2022.

A economia portuguesa cresceu 2,6% em cadeia entre janeiro e março, à boleia da recuperação do turismo e do consumo, o que permitiu mais do que compensar o aumento do endividamento público em termos absolutos em cerca de sete mil milhões durante este período — dos 269 mil milhões em dezembro para os 276 mil milhões em março.

Dívida pública cai pelo quatro trimestre

Fonte: Banco de Portugal

Esta trajetória confirma a prioridade assumida pelo Governo em relação à descida da dívida pública que tem permanecido como a terceira maior da Zona Euro nos últimos anos, com Portugal a ser superado por Itália e Grécia.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, assumiu como objetivo retirar “Portugal do grupo das economias com maior dívida pública na Europa”, apontando para um rácio de 120,7% do PIB no final deste ano (ainda terá de cair 6,3 pontos percentuais nos próximos três trimestres) e para um rácio de 101,9% do PIB em 2026. “Não por desejarmos qualquer distinção, mas porque essa é a melhor forma de defendermos as empresas e as famílias”, defendeu Medina recentemente.

Os dados mensais revelam que a dívida pública em termos absolutos aumentou 1,2 mil milhões em março, refletindo, “essencialmente, emissões de títulos de dívida no valor de 900 milhões de euros e o recebimento de uma nova tranche do empréstimo da Comissão Europeia (500 milhões de euros) ao abrigo do instrumento europeu SURE”, segundo o Banco de Portugal.

Como os depósitos das administrações públicas aumentaram 1,5 mil milhões, isto significa que, deduzida desses depósitos, a dívida pública líquida registou uma diminuição de 400 milhões de euros, para 253,8 mil milhões de euros.

Em outubro chega uma importante data para os cofres nacionais, pois terá de fazer um reembolso de mais de oito mil milhões de euros aos mercados relativos ao vencimento de uma linha de Obrigações do Tesouro.

(Notícia atualizada às 11h48)

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