Empresas vão ter catálogo de serviços para acelerar transição digital

Projeto previsto na "bazuca" deve ser lançado no último trimestre e vai ajudar as empresas na transição digital dos seus negócios. Escolha das PME que entram no catálogo arranca no verão.

Vanda de Jesus lidera a estrutura de missão Portugal Digital desde junho de 2020Hugo Amaral/ECO

O Catálogo de Serviços de Transição Digital, que vai apoiar as empresas na digitalização dos seus negócios, deverá ser lançado no quarto trimestre deste ano, disse ao ECO a diretora executiva da estrutura de missão Portugal Digital, Vanda de Jesus. A criação da ferramenta está prevista no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

De acordo com a responsável, este catálogo vai servir de montra aos serviços de apoio à transição digital prestados por pequenas e médias empresas (PME) portuguesas, que serão escolhidas por consulta pública, a ser lançada, em princípio, neste verão, revelou a mesma responsável.

Uma empresa que identifique carências de digitalização numa determinada parte da operação pode recorrer ao catálogo para encontrar ajuda, avançando por sua conta ou recorrendo a incentivos do PRR.

Entre esses incentivos estão as aceleradoras de comércio digital, que vão apoiar as empresas mais atrasadas na transição, ou o programa Coaching 4.0, através do qual vai ser possível pedir um voucher de cerca de dez mil euros por empresa, explicou Vanda de Jesus, à margem do congresso anual da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), que decorre em Lisboa.

Para as empresas que precisem de ajuda a identificar as necessidades de digitalização, a estrutura de missão Portugal Digital vai disponibilizar também uma espécie de ferramenta de diagnóstico que identifica o respetivo “nível de maturidade digital”, mostrando assim onde estão as principais carências. O lançamento está previsto para o mês de junho, disse Vanda de Jesus.

Academia sai do papel em junho

Além destas iniciativas, a estrutura de missão Portugal Digital está a preparar o lançamento da Academia Portugal Digital. O lançamento estava originalmente previsto para março, mas a diretora executiva revelou estar agora “a tentar ter uma versão beta [fase inicial] até ao final de junho”. A versão final só chegará em 2023, dado que o processo está dependente de concurso público internacional, justificou.

Nesta plataforma, todos os cidadãos terão acesso a cursos gratuitos nas áreas tecnológicas e digitais, o que lhes pode abrir portas em áreas diferentes da sua formação original. A Academia Portugal Digital é, deste modo, direcionada a quem quiser melhorar competências digitais ou procurar uma especialização na área. As empresas também vão poder recorrer à academia para formar os seus trabalhadores.

Acredito que este ano vamos conseguir acelerar o e-residency.

Vanda de Jesus

Diretora executiva da estrutura de missão Portugal Digital

Ajuda à Ucrânia desbloqueia e-residency

Vanda de Jesus fez ainda um balanço do desenvolvimento do e-residency, um programa que vai permitir aos cidadãos estrangeiros a obtenção de identidade e residência digital em Portugal, de forma mais simples e rápida. É uma ideia que o anterior Governo chegou a prever lançar no final de 2021, mas a operacionalização tem-se revelado mais difícil do que o antecipado. Contudo, a guerra na Ucrânia pode ter contribuído para desbloquear este processo.

“Não consigo dar uma data para o e-residency“, disse a responsável. No entanto, salientou que foi feito um “trabalho interagências”, nomeadamente com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Agência para a Modernização Administrativa (AMA) e Instituto dos Registos e Notariado (IRN).

Ora, a necessidade de acolhimento e inclusão rápida dos refugiados ucranianos “veio demonstrar a importância da aceleração quer do e-residency, quer dos nómadas como fenómeno”, explicou.

“Portanto, [o e-residency] está totalmente como ponto de agenda e está reforçado naquilo que era um projeto que vinha do Plano de Ação [para a Transição Digital]. Acredito que este ano vamos conseguir acelerar o e-residency“, concluiu.

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