“Ninguém quer o Google a decidir o que é 100% verdade ou mentira”

Diretor geral da Google em Portugal rejeita a ideia de remover do motor de busca o conteúdo considerado falso. Pelo contrário, a empresa retira o incentivo financeiro e eleva a autoridade.

O diretor geral da Google em Portugal desresponsabiliza a plataforma pelo conteúdo falso que seja publicado na web, recusando a ideia de a multinacional filtrar o que é verdade do que é mentira.

“Ninguém quer o Google a decidir o que é 100% verdade ou 100% mentira”, disse Bernardo Correia, numa intervenção no palco do congresso anual da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), que decorre em Lisboa.

Considerando que “um motor de busca é uma coisa completamente diferente de uma rede social”, o diretor geral comparou o Google com uma biblioteca. “É como ir a uma biblioteca e perguntar onde está o livro com toda a verdade. Não há. Mas há livros que não são verdade e ninguém os tira da biblioteca”, argumentou.

O gestor justificou desta forma uma política de moderação de conteúdos mais permissiva, mas reconheceu também que, pelo contrário, a Google pode “elevar as vozes da autoridade”, dando-lhes um “maior destaque”.

Questionado sobre se essa prática não representa um trabalho de edição e curadoria, que é habitualmente feito por meios de comunicação social, Bernardo Correia rejeitou: “Estamos a ajudar a informar, a aumentar a relevância.”

O responsável explicou, depois, que a estratégia da Google na moderação dos conteúdos assenta em três pilares. Primeiro, a remoção de todo o conteúdo ilegal ou que viole as regras do motor de busca. Segundo, a elevação das vozes de autoridade.

O terceiro pilar da política de moderação foi exemplificado por Bernardo Correia com a decisão tomada pela multinacional no ano passado de banir toda a publicidade nos conteúdos que questionam as alterações climáticas. “Não vamos tirar [da plataforma], mas tirámos o financiamento”, rematou.

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